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A mãe de Isabella confia no bom senso dos senhores , diz promotor aos jurados

Na parte final da réplica, o promotor Francisco Cembranelli insistiu na tese de que o casal teve um comportamento atípico diante de uma emergência - a queda de uma criança do sexto andar - e tentou demonstrar que Alexandre Nardoni e Anna Jatobá eram pessoas desequilibradas. Por isso, disse, inocentá-los seria absurdo. O promotor fez um apelo para que os jurados levassem em conta que a mãe de Isabella, Ana Carolina Oliveira, confiava no bom senso deles.

Matheus Pichonelli, iG São Paulo |


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Em vez de atender a filha que acabava de cair do prédio, disse, Alexandre decidiu descer para o hall e estava preocupado com a presença de um suposto ladrão no prédio. Cembranelli disse ainda, ao se dirigir ao advogado do casal, que Nardoni teve tempo de fazer ligações para a família e esperar o elevador. Seu cliente não socorreu e discutiu com a mulher. Qualquer um acionaria alguém, como os vizinhos fizeram. Mais tarde, perguntou aos jurados se eles achariam normal que um pai, diante da situação, não levasse a filha para um hospital e se preocupasse apenas em saber se algo havia sido furtado no apartamento. Isso é um comportamento de inocente?.

Cembranelli listou contradições feitas pelos réus diante do júri e afirmou que eles mentiram quando afirmaram que tinham apenas brigas normais e uma relação amistosa com Ana Carolina Oliveira, mãe de Isabella. Lembrou que, de acordo com depoimentos de vizinhos, o casal chegou a ser advertido até mesmo pelo síndico do prédio em razão de gritos recorrentes de brigas supostamente movidas pelo ciúme de Jatobá em relação à ex-mulher de Alexandre.

Ele disse que Jatobá chegou a procurar médico porque estava deprimida ¿ numa tentativa de contradizer a versão de que o casal tinha boa relação ¿ e afirmou que o acusado era um pai ausente, que não sabia nome de professores ou médicos de Isabella e que chegou a ser acionado em razão do atraso no pagamento de pensão.

Cembranelli ironizou ainda a tentativa da defesa de atribuir à imprensa ensandecida e à Promotoria o sentimento de vingança contra os réus. Então somos mais de 70 pessoas, entre peritos e membros da Justiça que estamos pedindo a cabeça de inocentes?, disse, novamente se dirigindo a Podval. Afirmou ainda que, diferentemente do advogado ¿ que assumiu a defesa do casal cerca de um ano após o crime ¿ acompanha o caso desde o primeiro minuto e lembrou que antigos advogados dos Nardoni abandonaram o caso ¿ um deles após afirmar que desistiria de defendê-los se não tivesse convicção sobre a inocência deles.

Neste instante, foi interrompido pelo advogado, que o criticou por estar sendo deselegante. O senhor é que é deselegante quando diz que participei de um achaque [contra Alexandre Nardoni, que disse ter recebido proposta da polícia para assumir a culpa]. A ordem de valores do senhor é bastante estranha, respondeu o promotor. Cembranelli foi irônico ainda ao afirmar que Jatobá trata como normal o fato de ter acionado o pai na Justiça após supostamente ser agredida. Ela vai à polícia, diz que apanha do pai e é tudo normal? Volta para casa e está tudo bem?, questionou.

O promotor insistiu na tese de que Jatobá era desequilibrada, que ela teve um caso com Alexandre quando ele ainda era casado com Oliveira. Anotei sete páginas de mentiras dela durante o depoimento, disse. Para ele, ao esganar a criança, Jatobá teria agido contra uma miniatura de Ana Carolina.

Falando aos jurados, Cembranelli disse que Isabella, se tivesse sido levada a um hospital e sobrevivesse, poderia relatar a verdade (a suposta agressão). Por isso, disse aos jurados, ela foi morta e atirada pela janela.

Em suas últimas palavras, o promotor elogiou o trabalho da polícia e lembrou que o Brasil estava de olho no caso. Pediu que os jurados levassem em conta e prestassem uma "homenagem aos dois anos de trabalho sério, que a defesa tenta desmoralizar, uma homenagem à prova científica. Disse, por fim, que a defesa tinha medo da Justiça, tinha interesse em adiar o julgamento para mais de cinco ou seis anos e afirmou aos jurados que a absolvição do casal seria absurda.

A Ana Carolina está deprimida, mas está do nosso lado. Ela confia no bom senso dos senhores. Sairemos daqui com a certeza de que foi feito o melhor.

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