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Provas são arrasadoras e colocam os Nardoni na cena do crime , diz promotor

O promotor Francisco Cembranelli afirmou nesta sexta-feira, durante julgamento de Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá, no Fórum de Santana, em São Paulo, ter certeza de que os dois eram os únicos na cena do crime. O casal é acusado de matar Isabella Nardoni em 29 de março de 2008. Posso afirmar taxativamente que o casal estava dentro do apartamento. Isso é ciência, não é crença. Contra fatos, não há argumentos. Eles estavam no apartamento quando Isabella foi jogada.

Lecticia Maggi e Ricardo Galhardo, iG São Paulo |


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Cembranelli, que defendeu a sua tese de forma didática e baseada em provas técnicas, disse que o casal não teria tempo para fazer o trajeto relatado por eles na noite do crime, questionou o motivo dos réus não terem ligado para os bombeiros e criticou o fato deles não terem participado da reconstituição.

"Se eu sou inocente, iria de todo modo querer colaborar com a perícia. Não me negaria a comparecer [a reconstituição]. Mas eles sabiam que, se fossem, teriam de explicar o inexplicável", afirmou ao expor sua tese. O promotor falou por duas horas e trinta minutos ao júri.

Telefonemas

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Cembranelli ao chegar ao fórum

Cembranelli ao chegar ao fórum

O promotor fez um relato detalhado dos telefonemas dados na noite em que Isabella morreu. Ele destacou as ligações feitas pelo subsíndico do Edifício London, de onde Isabella foi jogada do 6º andar, para o Corpo de Bombeiros e à polícia.

Em reprodução simulada, Cembranelli apontou que o porteiro do prédio demorou 20 segundos para avisar o subsíndico que Isabella tinha caído e estava no jardim do prédio. Segundo o promotor, em 1 minuto o síndico avisou os bombeiros. Ainda de acordo com Cembranelli, neste momento, Alexandre Nardoni, pai de Isabella, já estava no jardim do prédio.

Na conclusão do promotor, Alexandre não teria como entrar no apartamento, ir até o quarto em que a filha Isabella estaria dormindo, olhar pela janela e descer em 1 minuto. "Isso é ciência, não é crença".

De forma didática, Cembranelli mostrou que Alexandre demoraria 2 minutos para realizar o trajeto que ele afirma ter feito. A acusação questiona ainda o motivo de o casal não ter ligado logo para pedir ajuda. De forma teatral, ele destacou que até o subsíndico tinha pedido ajuda, mas ninguém da família pensou em ligar. Ressaltou que os Nardoni preferiram "ficar ligando entre eles".

Na quinta-feira, os réus afirmaram que não ligaram para os bombeiros, pois a primeira reação foi telefonar para o pai de Alexandre, o advogado tributarista Antonio Nardoni, como é costume da família.

Crítica a defesa

Cembranelli também destacou que, em nenhum momento, a defesa dos Nardoni rebateu os laudos da perícia. "Eles tentam apenas desmoralizar os peritos". Afirmou ainda que, em dois anos, os advogados do casal não contestaram a "linha do tempo". "As provas são arrasadoras e as pessoas não querem vingança e, sim, justiça, afirmou Cembranelli.

Roberto Podval, advogado de defesa dos Nardoni, durante toda a explanação, andava na sala com uma caneta chacoalhando nas mãos e, vez por outra, a levava na boca. Quando não concordava com a explanação do promotor, ria ironicamente. No momento em que Cembranelli falava sobre o tempo que seria necessário para uma terceira pessoa cometer o crime, porém, manteve-se sério.

Veja outros trechos da tese de Cembranelli

Dia decisivo

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Avó materna de Isabella mostra camiseta com foto da menina

Avó materna de Isabella

O julgamento, que acontece desde segunda-feira no Fórum de Santana, zona norte de São Paulo, termina na madrugada deste sábado. Segundo previsão do juiz Maurício Fossen, a sentença deverá ser anunciada à 1h . Fossen autorizou a liberação do áudio da sala do júri, no saguão do fórum, no momento em que a sentença for dada.

Ana Carolina de Oliveira, mãe de Isabella Oliveira, não assiste ao júri, segundo sua advogada, por estar muito "debilitada". Ela disse, por meio da advogada, que "apesar de não ter tido a oportunidade de acompanhar o júri, espera que a Justiça seja feita "

O casal é acusado de homicídio triplamente qualificado por motivo torpe, meio cruel e impossibilidade de defesa da vítima. Se condenados, a pena de Alexandre Nardoni será maior que a de Anna Carolina Jatobá, por ser um homicídio contra um descendente. Os dois negam o crime.

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