Promotor usa depoimento de vizinhos para tentar desmentir suspeita de invasão em edifício

Durou cerca de 30 minutos o depoimento do jornalista Rogério Pagnan, segunda testemunha ouvida nesta quarta-feira pelo juiz Mauricio Fossen, responsável pelo julgamento do casal Nardoni. Alexandre Nardoni e Anna Jatobá, réus no processo, são acusados de matar Isabella Nardoni, de cinco anos, em março de 2008.

iG São Paulo |


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Autor de uma reportagem sobre o caso, publicada em 10 de abril de 2008 no jornal Folha de S.Paulo, o repórter foi a primeira testemunha arrolada pela defesa a falar ao júri.

Na reportagem, ele utilizou o relato de um operário que à época do crime trabalhava em uma obra vizinha ao prédio de onde a menina caiu, do sexto andar. Segundo o relato, o portão da obra, um sobrado nos fundos do prédio, havia sido arrombado no fim de semana em que aconteceu o assassinato.

Ainda de acordo com a reportagem, o telhado da churrasqueira do prédio daria acesso à obra e a casa fica num ponto cego da guarita onde o porteiro trabalhava na ocasião. A reportagem dizia também que a cerca elétrica do edifício estava desligada.

O relato foi feito pelo pedreiro Gabriel Santos Neto, uma das testemunhas arroladas pela defesa do casal ¿ e dispensadas nesta quarta-feira pelos advogados.

No depoimento, Pagnan se limitou a responder como foi feita a reportagem. Ele pediu água antes de dar início ao depoimento e relatou, a pedido da defesa, ter feito uma série de reportagens sobre o caso.

O jornalista disse que teve acesso à testemunha após ela ser indicada por outros vizinhos como alguém que trabalhava no local havia mais tempo. No depoimento, ele disse não se lembrar se no relato o pedreiro havia dito que o portão da casa em construção tinha sido arrombado ou se ele estava somente aberto.

A defesa pediu que ele apontasse na maquete do edifício London o local onde ficava a obra. Ao tocar na reprodução, uma peça da maquete se quebrou, o que provocou risos entre as pessoas que acompanhavam o julgamento. Vou manter o senhor longe da maquete, brincou em seguida o promotor Francisco Cembranelli.

Pagnan lembrou que uma das pessoas ouvidas pela reportagem, a enfermeira Christiane Brito, relatou ter ouvido barulhos na obra cerca de uma hora depois de ouvir gritos vindos do prédio.

Ele também ressaltou que a entrevista foi feita antes de o pedreiro ser chamado para depor na polícia e disse não se lembrar exatamente se havia tapumes ou madeira na obra.

Questionado pelo promotor Francisco Cembranelli, Pagnan disse que nunca entrou no edifício London. Em seguida o promotor leu trechos de depoimentos de outros vizinhos do edifício, que teriam testemunhado a presença de policiais na frente da construção e movimentação no local ¿ numa tentativa de contradizer o relato colhido na reportagem, que citava um posicionamento feito pela assessoria da Polícia Militar, na época, informando que não havia registro da entrada de soldados naquele endereço.

Antes de ler os testemunhos contidos no processo, o promotor foi interpelado pelo advogado do casal Roberto Podval, que pediu para que ele esclarecesse qual era a pergunta. Me deixe fazer a pergunta primeiro. Ou o senhor teme alguma coisa?, respondeu Cembranelli.

Próximo passo

Depois de Pagnan, o investigador Jair Stirbulov foi ouvido no julgamento. Todas as demais testemunhas de defesa do casal Nardoni que ainda seriam ouvidas foram dispensadas e o próximo passo do julgamento será o interrogatório dos réus . A intenção da defesa é não cansar os jurados.

Nesta quarta-feira também foi ouvida a perita Rosângela Monteiro, do Instituto de Criminalistica. Em longo depoimento, que durou das 10h30 às 17h com intervalo de uma hora para almoço, ela afirmou que " Alexandre defenestrou Isabella " e que o sangue encontrado no apartamento em que ele morava, e de onde a menina foi jogada pela janela, era da criança.

O julgamento de Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá, acusados da morte de Isabella, acontece desde segunda-feira no Fórum de Santana, na zona norte de São Paulo.

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