Dois dias depois da condenação do casal Nardoni pelo assassinato de Isabella, morte da menina completa dois anos

A morte da menina Isabella Nardoni, de 5 anos, completa dois anos nesta segunda-feira, dia 29, dois dias após a condenação de Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá pelo seu assassinato. A movimentação no túmulo de Isabella, no cemitério Parque dos Pinheiros, zona norte de São Paulo, é grande.

Vestindo uma camiseta com a foto de Isabella, Palmira da Cunha, de 61 anos, tia-avó da menina, foi nesta segunda-feira ao cemitério prestar homenagem. "Isabella não precisava estar enterrada aqui com a minha mãe, que morreu aos 94 anos", afirmou. "Tudo que a Ana Carolina [mãe de Isabella] fala é verdade. Isabella era uma menina muito amada e muito esperta. E que ainda gostava muito do pai", destacou.

Pessoas visitam túmulo de Isabella Nardoni nesta segunda-feira
AE/Patrícia Santos
Pessoas visitam túmulo de Isabella Nardoni nesta segunda-feira

Palmira afirma que ainda não falou com a mãe de Isabella após o julgamento. "Estou deixando a família descansar". Para ela, a condenação do pai e da madrasta não é motivo de comemoração. "Estou triste por tudo. Lembro que, no enterro, eles [Alexandre e Anna Jatobá] vieram aqui e se ajoelharam".

Agumas pessoas viajaram horas para prestar homemagem a Isabella. É o caso da doméstica Iranete Barboza, que mora em Guaianazes, na zona leste de São Paulo, e pegou quatro conduções para chegar ao cemitério. "Demorou quase três horas o trajeto". "Estou aqui para rezar e pedir paz para Isabella. De onde ela estiver, que ajude as crianças vítimas de violência".

Defesa dos Nardoni

A defesa do casal Nardoni deve se reunir nesta segunda-feira para decidir quais recursos serão usados contra o júri. Assim que foi lida a sentença, por volta da 0h30 de sábado, a defesa recorreu da decisão, mas ainda não informou quais serão as estratégias adotadas a partir de agora.

A pena de Alexandre Nardoni foi de 31 anos, um mês e 10 dias de prisão, enquanto Anna Jatobá terá de cumprir 26 anos e oito meses de reclusão. Eles foram condenados por homicídio triplamente qualificado, por terem cometido o crime de forma cruel, com recurso que impediu a defesa da vítima e para encobrir crime anteriormente praticado (no caso, a esganadura). Eles ainda tiveram como agravante o fato de a vítima ter menos de 14 anos.

Nardoni pegou uma pena maior por ter praticado crime contra a própria filha. Os dois ainda foram condenados a 8 meses de detenção em regime semiaberto por fraude processual. Com isso, Anna Jatobá ficará detida em regime fechado ao menos por mais 8 anos e meio, quando terá cumprido dois quintos da pena e poderá pedir a progressão para o semiaberto, já Nardoni terá de cumprir no mínimo 10 anos de prisão antes de poder requerer o mesmo benefício.

Como o casal foi condenado há mais de 20 anos de prisão, uma das possibilidades estudadas pelo advogado Roberto Podval é pedir que eles sejam julgados novamente por outro júri popular.

O recurso, que permite um novo júri automático a condenados a mais de 20 anos de prisão, estava previsto no Código Penal em vigor na época do crime, em março de 2008. Cinco meses depois, a lei foi modificada. Mesmo assim, de acordo com a advogada Roselle Sóglio, que também faz parte da defesa, o direito a esse recurso pode ser estendido a casos que aconteceram antes da mudança da lei.

Sóglio afirmou que a defesa ainda não teve contato com o casal após o resultado do júri, em razão dos protestos e confusão que marcaram a saída de Alexandre Nardoni e Anna Jatobá do fórum de Santana, onde houve o julgamento.

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