Podval reafirma que não há provas e que jurados não devem condenar o casal

A principal estratégia do advogado de defesa Roberto Podval, durante sua exposição no julgamento do casal Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá nesta tarde, foi provocar dúvida entre os jurados. Para isso, reafirmou na tese de falta de provas conclusivas contra o casal e chamou os jurados à responsabilidade que têm nas mãos, lembrando que o Alexandre e Anna têm mais dois filhos.

Ricardo Galhardo, iG São Paulo |


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Para comprovar a tese de dúvida nos jurados, o advogado citou os depoimentos de várias testemunhas. Lembrou de um morador do prédio que disse ter ouvido a frase para pai, para pai, interpretando que era Isabella pedindo ao pai que parasse. Já a vizinha da frente escutou praticamente a mesma coisa, mas interpretou como Isabella chamando pelo pai. Mas daí, segundo Podval, a própria pericia diz que não poderia ter sido Isabella porque ela já estaria morta e que então os gritos seriam de uma dos filhos do casal.

O que aconteceu eu não sei. Mas dai incriminar alguém... É um cenário que não indica absolutamente nada. Não aponta que foram eles. É uma história estranha que não fecha. Por que foi? Por vingança? Por dinheiro? Por droga? Fico me perguntando também. Alguém só mata alguém com uma razão, afirmou.

Podval disse que nenhuma das histórias encaixa e que não tem como provar nem como explicar a presença de uma terceira pessoas no apartamento, mas que a acusação também não conseguiu provar a autoria do crime pelos dois.

A denúncia não chegou na autoria. Pode ter sido quem bateu a porta? (uma testemunha teria ouvido uma porta de incêndio do prédio bater no momento do crime) Pode. Pode ter sido o dono do fio do cabelo encontrado no apartamento? Pode. Faz sentido? Não. E eles? (apontando ao casal) Faz sentido?, deixando a pergunta no ar.

Em outro momento, Podval lembrou ao júri que o casal tem mais dois filhos que podem sofrer as consequências de uma condenação injusta. Um já foi, mas ainda tem mais duas crianças. Podval usou uma frase de Chico Xavier para fechar a argumentação. Ninguém pode voltar atrás e fazer um novo começo. Mas podemos fazer um novo final.

O momento de mais tensão foi quando Podval sugeriu que o promotor Cambranelli teria participado de uma proposta de acordo que teria sido feita pelo delegado Calixto Calil Filho para Alexandre Nardoni assumir o crime sozinho. Podval leu trechos do depoimento de Alexandre em que o promotor pergunta se ele mesmo teria tido alguma participação no acordo. Mas não questiona a sua presença na sala, no momento em que aconteceu essa proposta. Irritado, Cembranelli fez um aparte e reagiu indignado: canalhice, canalhice, canalhice!, afirmou Cembranelli. O promotor chegou a ser advertido pelo juiz, mas no final disse que não protestou contra a defesa, mas contra Alexandre.

Podval também tentou desfazer a dúvida quanto ao caráter de Anna Carolina Jatobá ao relembrar a sexta-feira, véspera da morte de Isabella, usando trechos do depoimento da mãe da menina, Ana Carolina de Oliveira. A própria mãe ligou para Anna Jatobá e falou que Isabella não queria ficar em casa, mas que queria ir para a casa de Jatobá brincar com ela e com os irmãos. O advogado ressaltou que Anna Jatobá foi solícita e pediu 10 minutos para chegar até a casa. Mesmo sem saber o caminho e com Alexandre no telefone explicando o local foi até a casa da mãe de Isabella, levou a menina até sua casa e brincou na piscina com ela. Isabella disse ainda queria brincar com uma amiga, então Jatobá foi buscá-la e passaram no colégio do filho.

Segundo Podval, Anna Jatobá fez tudo o que Isabella pediu. O advogado ainda relembrou que o casal fez o quarto que Isabella queria e do jeito que ela pediu. Após essas explicações, perguntou: E é ela? apontando para Jatobá. Que num rompante asfixia a menina? Essa história encaixa para alguém?.

Podval fez críticas à imprensa pela forma com que foi feita a cobertura, a policia que só investigou uma hipótese e a sociedade brasileira que fica exigindo Justiça. Para exemplificar, citou o caso de Madeleine, que segundo ele foi um caso muito parecido, onde a imprensa apontou para os pais, mas que a sociedade britânica, que é uma sociedade democrática, não ficou exigindo a punição sem que houvesse provas efetivas contra os pais.

No fim, o pai de Alexandre Nardoni e outro membro da família foram abraçar Podval emocionados e chorando.

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