Perita afirma que tentaram apagar manchas de sangue no apartamento dos Nardoni

A perita Rosângela Monteiro, do Instituto de Criminalística, afirmou que tentaram apagar manchas de sangue no apartamento em que morava Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá e de onde Isabella Nardoni, segundo o Ministério Público, foi jogada.

Lecticia Maggi e Ricardo Galhardo, iG São Paulo |


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Rosângela prestou depoimento desde as 10h16 até às 17h desta quarta-feira no Fórum de Santana, zona norte de São Paulo, onde é realizado o julgamento do casal. Ela foi responsável por toda a perícia na época do crime e dá detalhes do trabalho realizado.

Após apresentar um extenso currículo acadêmico e profissional, destacando "os 30 anos na área forense", Rosângela afirmou que o local do crime "foi um dos mais preservados" que já encontrou em sua carreira. "As manchas de sangue estavam claras, isoladas e bonitinhas para serem estudadas".

Sangue de Isabella

A perita afirmou que encontrou manchas em quatro lugares: na soleira da porta de entrada do apartamento, no corredor que leva para os quartos, nos lençóis dos irmãos e na tela da janela.

Acrescentou que, pelo formato das manchas, é possível afirmar que caíram de uma altura de 1,25 m, o que mostraria que Isabella não entrou andando, já que a menina tinha 1,15 m. Ela destacou que as manchas no lençol e tela eram de Isabella.

A perita também destacou que foram encontrados vestígios da tela em uma tesoura, que estava na cozinha e teria sido usada para cortar a tela da janela por onde a menina foi jogada.

Sobre as manchas de sangue encontradas no carro do casal - na cadeirinha, assoalho e no banco traseiro do lado oposto ao do motorista -, Rosângela afirmou que a única mancha possível para fazer DNA era a da cadeirinha e que lá tinha sangue de Isabella e de um dos irmãos da menina.

AE
Mulher com cartaz em frente ao fórum pede justiça

Mulher com cartaz em frente ao fórum pede justiça

Uso de reagente

O promotor Francisco Cembranelli usou o depoimento da perita para derrubar algumas teses da defesa dos Nardoni. Cembranelli perguntou se as manchas de sangue poderiam ter sido apagadas no trabalho da perícia, ela descartou essa possibilidade.

A pedido de Cembranelli, que representa a acusação, a perita confirmou que, ao seu ver, ninguém na defesa possui treinamento para lidar com os reagentes que os peritos usaram para ter certeza de que o sangue era de Isabella.

Roberto Podval, advogado de defesa do casal, então, perguntou como ela poderia ter certeza que ele não estava habilitado para usar o reagente. Rosângela respondeu porque ela dá o treinamento para as pessoas que usam o reagente no Brasil. Destacou ainda que, além de saber usar o produto, é preciso ser um perito com experiência em local de crime. "É um produto tóxico e difícil é fazer a leitura".

Ela rebateu as acusações já feitas em outras ocasiões pela defesa do casal de que os reagentes usados podem dar "falso positivo" para alimentos e tintas. "O bluestar (reagente) é de orientação. Ele pode, sim, reagir a ferro, tintas e alimentos, como alho. Um pouco vai da experiência do perito em saber onde aplicá-lo", explicou. Além dele, ela disse que também foi usado o reagente Hexagon, que, se aplicado junto ao Bluestar, não deixa dúvidas. "Ele é um completo e dá a certeza de que ali havia sangue humano".

Camiseta de Alexandre

A perita mostrou ainda fotos para os jurados da comparação feita entre a camiseta que Alexandre Nardoni usou no dia do crime e outra em que foram feitos teste no IC. Segundo Rosângela, as marcas na camiseta da Alexandre só poderiam ter sido deixadas pela tela de proteção , em alguém que teria colocado os dois braços para fora da janela, segurando um peso de cerca de 25 quilos.

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