Para advogada, instituição do júri está falida

O julgamento do casal Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá, acusado de matar a menina Isabella Nardoni em março de 2008, marcado para a próxima segunda-feira, desperta o interesse da classe jurídica e aguça a curiosidade nacional sobre o resultado do julgamento. A decisão passará pelas mãos de sete pessoas sorteadas entre 6000 inscritos. Para a advogada Ruth Wagner Vallejo, um caso de repercussão tão grande como esse não deveria ser decidido por um júri. As pessoas já vão prontas para o tribunal, com a cabeça feita, afirma em entrevista ao iG.

Daniel Torres, iG São Paulo |

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    Casal Nardoni começa a ser julgado
    "As pessoas com quem a gente fala nas ruas têm absoluta certeza de que foram eles (o casal) que mataram. Eu como cidadã, se não conhecesse as leis e se não trabalhasse no dia a dia com isso, até poderia ter a mesma opinião. Mas como profissional, mesmo que sem ter conhecimento exato dos autos do processo, eu posso dizer que não tenho certeza se foram eles que mataram a Isabella. Então se fosse uma jurada consciente eu não os condenaria. Aí falariam: 'Nossa que absurdo, está claro que foram eles'. Eu não tenho essa certeza. Claro que tudo pode mudar, mas acho que os jurados em um caso como esse já vão preparados para condenar", diz a advogada.

    Os sete jurados serão escolhidos entre 40 pessoas que já foram sorteadas, sendo 17 homens e 23 mulheres. Até o momento, sabe-se apenas que os jurados têm mais de 18 anos, moram na capital paulista e não possuem antecedentes criminais.

    Para Ruth, se em casos de pouca repercussão já é difícil convencer os jurados de uma absolvição, em processos como o do casal Nardoni se torna ainda mais difícil. "Eu acho que a instituição do júri está falida. O júri popular não julga como um assunto técnico. Principalmente em casos em que a mídia já divulgou amplamente".

    A influência da cobertura da mídia na decisão dos jurados é uma tema polêmico. Defensores do júri alegam que pelo fato dos julgamentos ocorrerem normalmente alguns anos após o crime, quando a cobertura do caso já "esfriou", os jurados tendem a se concentrar apenas no que lhes é passado durante o julgamento. Mas a justiça brasileira tem acelerado o ritmo dos julgamento e a morte da Isabella Nardoni foi um caso de repercussão nacional sem precedente.

    "Eu questiono muito o júri. Vamos colocar um caso como esse, de acusação de homicídio. Hoje em dia a violência como está, as pessoas que vão para julgar não estão com a alma pronta para ouvir o drama da pessoa. Eles estão lá com a ideia de fazer Justiça. Pensam que é a chance de fazer alguma coisa. E eu sinceramente, não sei se todas as pessoas que estão sentadas em um júri tem condições de entender as teses apresentadas. Por mais que se explique de uma forma simples eu acho que nem todos são capazes de entender", afirma Ruth.


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