Não posso colocar em risco a defesa dos réus, diz Podval sobre confinamento de mãe de Isabella

O advogado Roberto Podval, que defende Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá acusados de matar Isabella Nardoni, rebateu nesta terça-feira as críticas por ter pedido que Ana Carolina de Oliveira, mãe de Isabella e arrolada como testemunha de acusação, ficasse à disposição da Justiça.

Lecticia Maggi, iG São Paulo |


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"É desagradável, triste, constrangedor. Agora, a acusação trouxe [a mãe de Isabella] e sabia que eu podia pedir que ela ficasse à disposição da Justiça. Não posso colocar em risco a defesa dos réus, caso eu precise ouvi-la", afirmou Podval.

Possível acareação

Na segunda-feira, o juiz Mauricio Fossen, que preside o júri, aceitou o pedido de Podval para que Ana Carolina ficasse incomunicável. O advogado não descarta uma acareação entre ela e o casal.

O promotor Francisco Cembranelli argumentou que Ana Carolina está em tratamento psicológico, mas Fossen entendeu que é importante a mãe de Isabella ficar incomunicável e à disposição da Justiça. Ela dormiu no Fórum da Barra Funda.

Futura Press
Podval em coletiva de imprensa

Podval concede entrevista à imprensa

"Sou chamado de insensível, mas se ela não ficar isolada não posso convocá-la depois. Ninguém pensa que dois inocentes estão presos até agora", afirmou Podval.

A avó materna de Isabella, Rosa Maria Cunha de Oliveira, também criticou a decisão da Justiça. "Ela precisa ter o luto dela. Há dois anos ela tenta enterrar a filha e não consegue. Agora é hora de ela fechar esse ciclo e enterrar a filha. E eles não dão esse direito. Eles mataram a minha neta e agora querem enterrar a minha filha ", afirmou.

Rotina dos Nardoni

O advogado disse ainda que vai mostrar durante o julgamento a rotina do casal Nardoni. "Quero mostrar o dia-a-dia da família. Não veja razão para uma brutalidade tão grande", disse. Para Podval, "ficou claro que antes disso tudo havia conflito entre famílias". "As famílias brigavam, tinham ciúmes, e a relação não era harmônica, mas é coisa que acontece no dia a dia de qualquer família".

"A sociedade espera resposta. Se eu aparecer com uma terceira pessoa, eles estão absolvidos. O fato é: eu não tenho o culpado, mas, por não ter culpado, não significa que os dois devam ser condenados", completou.

Podval também comentou o fato de o jurado ter se emocionado com o depoimento de Ana Carolina na segunda-feira. Ela foi interrogada por duas horas e trinta minutos, chorou várias vezes e mocionou o jurado. "Todo mundo tem sentimento. Uma menina linda e graciosa foi morta. Ela é a maior vítima", disse. "A acusação está jogando com a emoção e a gente está tentando trazer o processo para a razão", disse.

Sobre a família Nardoni, afirmou que "está todo mundo destruído, triste e ansioso" Os dois são acusados da morte de Isabella Nardoni. A menina morreu, em 29 de março de 2008, após ter sido jogada do 6º andar do prédio em que Alexandre e Anna Carolina Jatobá moravam. Eles negam a acusação.

2º dia de julgamento

Neste segundo dia de julgamento, serão ouvidas as testemunhas de acusação . São elas: o médico do Instituto Médido Legal (IML) Paulo Sérgio Tieppo Alves, a perita Rosângela Monteiro, Luiz de Carvalho e a delegada Renata Helena da Silva Pontes. Na segunda-feira, a mãe de Isabella Nardoni foi ouvida por 2h30 .

As escoltas trazendo Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá chegaram por volta das 8h30 desta terça-feira ao Fórum de Santana, no bairro do Limão, zona norte de São Paulo. Assim como ontem, os veículos entraram pela parte lateral do prédio .

Alexandre saiu do Centro de Detenção Provisória de Pinheiros e Anna Carolina, da Penitenciária Feminina do Carandiru, onde passaram a noite.

Defesa e acusação calculam que o julgamento deve durar de quatro a cinco dias. Os dois são acusados de homicídio triplamente qualificado por motivo torpe, meio cruel e impossibilidade de defesa da vítima. Eles alegam inocência.

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