Estudantes gastam até R$ 2 mil para acompanhar julgamento do casal Nardoni

Estudantes de Direito e curiosos viajam de diversas cidades do país para assistir ao "julgamento do ano"

Lecticia Maggi, iG São Paulo |

Acompanhado da mãe Maria da Purificação Santos, de 41 anos, o estudante de Direito Jeferson Guimarães saiu de Salvador, na Bahia, especialmente para tentar assistir ao julgamento de Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá, acusados de ter matado Isabella Nardoni. O júri é realizado desde segunda-feira no Fórum de Santana, na zona norte de São Paulo.

Somente as passagens de ida e volta dos dois custaram cerca de R$ 2 mil. "É o julgamento do ano. Vale o investimento", afirmou o estudante que não demonstrava qualquer sinal de cansaço apesar de horas na fila. Informalmente, ele foi escolhido como responsável por organizar as senhas. "Para que não haja complicação", explicou.

Na busca por uma vaga no plenário, vale tudo: madrugar, viajar quilômetros de avião e gastar centenas de reais. Há apenas 77 vagas na sala, sendo que 20 foram destinadas para a imprensa. O restante foi dividido entre parentes de Ana Carolina de Oliveira, dos réus e populares.

Assim como Jeferson e a mãe, outra que viajou apenas para ver de perto o julgamento foi a estudante de Direito Tatiana de Pinho, de 33 anos, de Brasília. "Ontem, cheguei aqui às 10h e fiquei até as 21h, mas não consegui entrar". Para garantir uma vaga, hoje ela chegou às 6h, mas já estava com a senha de número 20. "Na TV, não passa imagem de dentro do tribunal e eu quero muito ver a exposição do [advogado de defesa Roberto] Podval e do [promotor Francisco] Cembranelli", explicou.

Na fila desde a madrugada

A fila para conseguir uma senha já contava com mais de 50 pessoas antes das 8h desta quarta-feira. A estudante de Direito Esther Hannez, de 31 anos, e a amiga Mariana de Moraes, 20, foram as primeiras a chegar ao fórum. "Aqui virou uma espécie de sociedade. Criamos até senhas para evitar furões", conta Esther.

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Populares esperam em fila uma senha para assistir ao depoimento

Mariana, que queria estar no fórum desde a meia noite, mas foi convecida pela amiga a esperar um pouco mais, chegou às 3h e explica que está perdendo um dia de trabalho. "Se não estivesse aqui, ficaria o dia todo vendo pela TV". As duas afirmam que assistir ao julgamento é importante para a profissão que escolheram.

Curiosos

Profissionais de outras áreas e curiosos completam o grupo presente na fila. A cabelereira Rosana Aparecida Rodrigues, de 31 anos, fechou o salão e desmarcou as clientes desta quarta-feira. Para ela, o julgamento é mais importante. "Estou muito interessada. Nós, que somos mães, queremos apoiar a Ana Carolina de Oliveira".

Da cidade de Tramandaí, no interior do Rio Grande do Sul, veio o engenheiro Carlos Torres, de 57 anos. Entre passagens de avião e hospedagem em hotel, calcula ter gasto cerca de R$ 1 mil. "O motivo? A barbárie".

"Desde o primeiro dia acompanho o caso e participo de discussões e comunidades no Orkut. Acho que o fato de ter uma filha pequena chamada Isabella contribuiu para me comover mais", completou.

O julgamento do casal Nardoni entrou, nesta quarta-feira, no terceiro dia. O casal é acusado de homicídio triplamente qualificado por motivo torpe, meio cruel e impossibilidade de defesa da vítima. A expectativa é de que a decisão do júri seja dada na sexta-feira.

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