100% de certeza da culpa dos Nardoni - Caso Isabella Nardoni - iG" /

Em interrogatório, delegada diz que tem 100% de certeza da culpa dos Nardoni

Tenho 100% de certeza que eles são culpados. A afirmação é da delegada Renata Helena da Silva Pontes, que prestou depoimento por quatro horas nesta terça-feira no Fórum de Santana, zona norte de São Paulo, onde acontece o julgamento de Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá. O casal é acusado da morte de Isabella Nardoni, que foi jogada do 6º andar, em 29 de março de 2008, do prédio onde o casal Nardoni morava.

Lecticia Maggi e Ricardo Galhardo, iG São Paulo |


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Renata é a primeira testemunha a ser ouvida nesta terça-feira. Ela é uma das testemunhas arroladas tanto pela defesa como pela acusação.

Em depoimento, a delegada afirmou que só denunciou o casal por não ter dúvidas da culpa deles. Ela destacou já ter estado em mais de 136 locais de crime, ao longo de sua carreira, e que quando chegou ao apartamento dos Nardoni, na noite do crime, viu "a olho nu" duas manchas de sangue. "Uma na entrada do apartamento e outra, no lençol dos irmãos de Isabella". A menina foi jogada da janela do quarto dos irmãos.

Sobre o reagente químico, o luminol (usado pela perícia para detectar outras manchas de sangue), Renata destacou que é uma substância usada por "todas as polícias do mundo". A defesa do casal vai explorar o uso do reagente durante o julgamento, uma vez que a substância reage a qualquer produto que tenha ferro. Roberto Podval, advogado de defesa do casal, tentará mostrar isso ao jurado.

Renata destacou ainda que Alexandre deu versões contraditórias na noite do crime. Primeiro, disse que havia entrado um ladrão. Depois, que o porteiro tinha uma cópia da chave do apartamento. Ao verificar a história, diz a delegada, constatou que não existia cópia de chave.

A delegada relatou ainda que embora Alexandre tenha afirmado que o apartamento tivesse sido invadido, ele não contou isso à polícia quando prestou depoimento.

"No domingo, um perito me ligou e disse que tinha sido detectado um ferimento na testa e indício de asfixia", afirmou, acrescentando que ela foi informada que essas agressões teriam ocorrido antes da queda de Isabella.

Renata afirmou que "não teve um dia durante toda a investigação" que ela não tenha encontrado indícios de autoria do casal no crime. "Não tem nada que indique a presença de uma terceira pessoa", completou.

Durante todo o interrogatório, a advogada mostrou-se bastante segura e, algumas vezes, irritada. Podval insistiu nas questões técnicas, tentando constantemente desqualificar os laudos técnicos e mostrar falhas no trabalho da perícia.

O juiz Maurício Fossen perguntou se podia dispensar Renata, mas Podval disse que ela precisaria ficar à disposição da Justiça. A delegada não poderá deixar o fórum pelo menos até os depoimentos dos peritos. Além da delegada, a mãe de Isabella, Ana Carolina Oliveira, também está à disposição da Justiça.

Maquetes

O promotor Francisco Cembranelli fez uso das maquetes - uma reproduz o Edifício London e a outra, o apartamento dos Nardoni - durante o interrogatório de Renata.

Cembranelli pediu que a delegada apontasse o trajeto feito no apartamento em 29 de março de 2008 e também pediu que os jurados levantassem e observassem as maquetes de perto.

AE
Homem é visto com foto da menina Isabella em frente ao Fórum de Santana

Homem é visto com foto de Isabella em frente ao Fórum de Santana

2º dia de julgamento

O segundo dia de julgamento foi retomado às 10h05 desta terça-feira, com uma hora de atraso. Hoje, serão ouvidas as testemunhas de acusação. São elas: o médico do Instituto Médido Legal (IML) Paulo Sérgio Tieppo Alves, a perita Rosângela Monteiro, o perito Luiz Eduardo Carvalho Dorea e a delegada Renata Helena da Silva Pontes. Na segunda-feira, a mãe de Isabella Nardoni, Ana Carolina de Oliveira, foi ouvida por 2h30 .

A intenção de utilizar o perito Luiz Eduardo Carvalho Dorea foi revelada só nesta terça-feira. Segundo apurou a reportagem do iG , o perito criminal foi diretor da Polícia Técnica da Bahia e publicou diversos livros. Dorea será interrogado sobre um trecho de um livro seu que teria sido usado em um laudo por uma das testemunhas de defesa. Assim, a tentativa da acusação é de desqualificar a testemunha.

Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá, que dormiram nas penitenciárias de Pinheiros e Santana, respectivamente, acompanham aos depoimentos.

Este é um dos maiores julgamentos já realizados no País . A morte de Isabella comoveu o País ao colocar como os acusados de um crime bárbaro o pai e a madrasta da menina.

Sem réu confesso do crime, acusação e defesa se debruçaram nos últimos meses para preparar os argumentos que irão levar os sete jurados a inocentar ou culpar o casal.

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