Durante julgamento, legista reafirma tese de asfixia e agressões contra Isabella

O médico legista do Instituto Médido Legal (IML) Paulo Sérgio Tieppo Alves, que foi quem primeiro examinou o corpo de Isabella Nardoni no dia da sua morte, disse, em depoimento, que a menina foi asfixiada e violentamente agredida antes de cair do sexto andar do edificio London, na zona norte de São Paulo. Tieppo, que foi ouvido por mais de 3 horas, mostrou fotos do corpo de Isabella aos jurados.

Ricardo Galhardo, iG São Paulo |


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Segundo o legista, a asfixia e uma possível agressão foram as causas da morte de Isabella. No primeiro contato já constatamos sinais de asfixia, disso o médico. Segundo ele, foram encontrados quatro tipos de lesões no corpo da menina. O primeiro é um machucado na testa, o segundo foi provocado pela asfixia, o terceiro a partir de uma agressão e o quarto decorrente da queda.

Com muita segurança e de forma didática, ele enumerou todas as evidências técnicas que embasam a tese da acusação e também refutou, ponto a ponto, respondendo as perguntas do promotor Francisco Cenbranelli, todos os argumentos usados pela defesa para desqualificar a hipótese de asfixia.

Segundo o Tieppo, Isabella apresentava uma fratura no úmero, além de outras lesões nos pulsos, nas palmas das mãos e na região do cóccix, que levam a crer que ela foi atirada ao chão com violência antes de cair do sexto andar: pela dinâmica dos fatos, alguém projetou a vitima contra o solo. 

Depois disso, Tieppo passou a elencar as evidências de asfixia por esganadura: marcas roxas na parte de trás do pescoço, língua projetada, sangue escuro e fluído, infiltrações de sangue na estrutura do pescoço e olho esquerdo projetado.

À pedido do promotor, o legista mostrou fotos do cadáver de Isabella e apontou as evidências para o corpo de jurados. Nesse momento, a avó de Isabella, Rosa Oliveira, não suportou e deixou a sala do júri. Ela só voltou depois de 15 minutos, muito abalada,  e passou boa parte do tempo com os olhos fechados e a cabeça encostada no ombro do marido.

Numa segunda etapa do depoimento, o promotor se concentrou a derrubar as teses da defesa. A primeira delas é que a asfixia teria sido provocada porque Isabella teria caído de cabeça para baixo. A segunda é que as lesões teriam sido provocadas no socorro do Corpo de Bombeiros na tentativa de reanimá-la. A terceira de que Isabella teria sido vítima de uma embolia gordurosa. Nesse momento, o juiz Mauricio Fossen interrompeu o depoimento para que os jurados pudessem ter um descanso.

A novelista Gloria Pérez, da TV Globo, acompanha o julgamento no Fórum de Santana. Para a autora de novelas e mãe da atriz Daniela Perez, assassinada em 1992 com golpes de tesoura, o caminho que o julgamento está tomando é para a condenação do casal .

Mais cedo, a delegada Renata Helena da Silva Pontes falou por 4h30 . Das testemunhas arroladas pela acusação, ainda faltam ser ouvidos os peritos Rosângela Monteiro e Luiz Eduardo Carvalho Dorea . Na segunda-feira, a mãe de Isabella Nardoni, Ana Carolina de Oliveira, foi ouvida por 2h30 .

Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá, que dormiram nas penitenciárias de Pinheiros e Santana, respectivamente, acompanham aos depoimentos.

A mãe de Isabella, Ana Carolina de Oliveira, não está presente. Ela está no Fórum da Barra Funda, incomunicável, à disposição da Justiça. Roberto Podval, advogado de defesa, não descarta realizar uma acareação entre ela e o casal Nardoni.

Este é um dos maiores julgamentos já realizados no País . A morte de Isabella comoveu o País ao colocar como os acusados de um crime bárbaro o pai e a madrasta da menina.

Sem réu confesso do crime, acusação e defesa se debruçaram nos últimos meses para preparar os argumentos que irão levar os sete jurados a inocentar ou culpar o casal.

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