De forma irônica, promotor fala sobre a hipótese da 3ª pessoa na morte de Isabella

Andando de um lado para o outro do plenário, no Fórum de Santana, em São Paulo, gesticulando incansavelmente e alternando o tom de voz, o promotor Franscico Cembranelli concluiu às 13h15 desta sexta-feira sua apresentação no julgamento do casal Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá.

Lecticia Maggi, iG São Paulo |


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Cembranelli defendeu que Alexandre e Anna Jatobá eram "os únicos presentes no apartamento" quando Isabella foi jogada, em 29 de março de 2008, e que "não há outra possibilidade possível" para a morte da menina do que eles a terem assassinado. 

De forma irônica, disse que, para acreditar que foi uma terceira pessoa que cometeu o crime, os jurados teriam que concordar que o provável bandido pegou a menina, deu uma passeada pelo apartamento para pingar bastante sangue, depois esganou, cortou a tela de proteção, devolveu a tesoura para a cozinha, subiu na cama descalço porque o sapato era compatível com o de Alexandre. Então, ele jogou a menina pela janela para alertar a todos. Depois, num gesto de solidariedade, porque o apartamento era muito bagunçado, apagou as manchas de sangue no chão e ainda colocou a fralda para lavar. Antes de sair, lembrou de apagar a luz.

Arquivo/AE
Promotor Francisco Cembranelli

Promotor Francisco Cembranelli

A afirmação provocou irritação dos assistentes de defesa, que a todo momento faziam comentários na plateia.

Acredito que um algoz poderia até asfixiar, mas colocaria Isabella de volta na cama para não chamar a atenção, não jogaria pela janela para alertar a todos e a polícia. Os pais só veriam que ela estava morta no dia seguinte, afirmou.

Segundo Cembranelli, é impossível negar que houve asfixia. A perícia provou pelas lesões, posição da língua, unhas roxas.

Cembranelli fez a defesa de sua tesa por duas horas e trinta minutos nesta sexta-feira. A sentença para o casal Nardoni será dada pelo juiz Mauricio Fossen na madrugada deste sábado. O julgamento é realizado desde segunda-feira no Fórum de Santana, zona norte de São Paulo.

Acusações

O casal é acusado de homicídio triplamente qualificado por motivo torpe, meio cruel e impossibilidade de defesa da vítima. Se condenados, a pena de Alexandre Nardoni será maior que a de Anna Carolina Jatobá, por ser um homicídio contra um descendente.

Na quinta-feira, os dois negaram as acusações contra eles. Em interrogatório, choraram, chegaram a sensibilizar parte do jurado e fizeram acusações contra a equipe policial que cuidou do caso. Houve algumas contradições entre os depoimentos de Anna Carolina e Alexandre Nardoni. ( veja como foi o quarto dia de júri ).

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