Confinada, mãe de Isabella está à beira de uma crise de depressão

Confinada há dois dias em um quarto, mãe de Isabella, tem apresentado sintomas de estresse pós-traumático

Ricardo Galhardo, iG São Paulo |

Confinada há dois dias em um quarto, no 2º andar do Fórum de Santana, Ana Carolina de Oliveira, mãe de Isabella, tem apresentado sintomas de estresse pós-traumático.

Ana Carolina, por pedido de Roberto Podval, advogado de defesa de Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá, está à disposição da Justiça e, portanto, incomunicável, desde segunda-feira após ter prestado depoimento como testemunha de acusação.

Segundo apurou a reportagem do iG , Ana Carolina está em um quarto, que parece uma cela. Não tem acesso à televisão, ou qualquer outro meio de comunicação, e não pode sair para andar pelo corredor do fórum. Fica o tempo todo no quarto e tem reclamado que se sente presa.

Ainda de acordo com apuração do iG , Ana Carolina foi diagnosticada com estresse pós-traumático há dois anos, logo depois da morte da filha Isabella Nardoni. Porém, ela não apresentava mais os sintomas da doença e o confinamento, dizem pessoas próximas a Ana Carolina, tem provocado uma recaída.

Ela está roendo a unha compulsivamente até sangrar os dedos da mão; tem arrancado a pele do canto da boca até ficar em carne viva; e tido a sensação de um ataque cardíaco.

Segundo pessoas próximas a Ana Carolina, ela está à beira de uma crise de depressão e o medo é que ela volte a ter síndrome do pânico - como foi diagnosticada quando a filha morreu em 2008. Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá, pai e madrasta de Isabella Nardoni, são acusados de ter matado a menina.

Tratamento

AE
Ana Carolina, na 2ª, no fórum

Três dias depois da morte de Isabella, Ana Carolina começou a fazer tratamento com o psicólogo José Milton Rosa. Ele é a única pessoa que tem tido acesso a Ana Carolina - um precedente que o juiz autorizou, desde que ele mantenha o compromisso de não violar a incomunicabilidade dela.

Após avaliar Ana Carolina, o médico passa as informações sobre o estado clínico dela para a família, para a acusação e para o juiz Mauricio Fossen, que preside o júri. Por causa do diagnóstico dado por Rosa, o juiz voltou a pedir na terça-feira para que Podval libere Ana Carolina. O advogado afirmou nesta quarta-feira que ainda estuda esta possibilidade.

Preparação especial

Quando Isabella morreu, Ana Carolina teve síndrome do pânico, depressão profunda, mas quatro meses depois, ela não apresentava mais sintomas. O que, segundo médicos ouvidos pela reportagem do iG, é normal. De acordo com pessoas próximas a Ana Carolina, ela não tomou nenhum comprimido no tratamento.

Há um ano, ela recebe uma preparação especial para o julgamento dos Nardoni. Ana Carolina foi submetida a uma técnica de terapia chamada de sucessivas aproximações. Por esse método, primeiro a pessoa imagina a situação, para depois vivenciá-la.

Essa preparação foi feita para que Ana Carolina pudesse ver durante o julgamento as imagens, por exemplo, do corpo da filha, ouvir as alegações da defesa e até ataques a vida pessoal dela.

A reportagem do iG apurou que a situação é considerada de emergência e está descartado que esse quadro seja por causa do depoimento que ela prestou como testemunha de acusação. Segundo informado ao iG , esse tipo de depoimento (falar, chorar) ajuda a aliviar.

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