Com atraso de mais de uma hora, começa o julgamento do caso Isabella em fórum de SP

Quase dois anos depois da morte de Isabella Nardoni, jogada do 6º andar do Edifício London em 29 de março de 2008, Alexandre Nardoni, Anna Carolina Jatobá e Ana Carolina de Oliveira - pai, madrasta e mãe da menina - voltam a ficar frente a frente. Começou às 14h17, com mais de uma hora de atraso, o julgamento do caso Isabella. Pai e madrasta são acusados da morte da menina. Eles negam o crime.

Lecticia Maggi e Ricardo Galhardo, iG São Paulo |


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O acesso à sala de julgamento é restrito. Na plateia, há apenas 77 lugares, sendo que 20 deles foram disponibilizados para jornalistas. O juiz Mauricio Fossen proibiu a realização de imagens ou liberação de áudio do julgamento.

Alexandre e Anna Carolina já estão na sala do júri. O casal não viajou algemado por motivo de segurança, para que na eventualidade de um acidente não sofressem lesões mais sérias.

Os dois chegaram ao Fórum de Santana com uniforme do presídio. Segundo a assessoria do Tribunal de Justiça de São Paulo, os dois trocaram de roupa no fórum. Anna Carolina está de calça jeans, sapatilha e uma blusa salmão. Alexandre veste calça jeans, tênis preto e uma camiseta branca com um faixa azul.

AE
Mãe de Isabella ao chegar ao fórum

Mãe de Isabella chega ao fórum

Até agora pela manhã, a presença do pedreiro Gabriel dos Santos Neto , uma das testemunhas arroladas pela defesa do casal, que não havia sido localizado para receber a intimação, era dúvida. Mas ele foi a primeira testemunha a chegar ao fórum. Existia a possibilidade de o julgamento ser adiado sem a presença do pedreiro, que foi intimado por ter dado uma entrevista em que afirmava que a obra nos fundos do edifício London havia sido arrombada. Depois, em depoimento à polícia, o pedreiro negou a informação.

A movimentação em frente ao Fórum de Santana, na zona norte de São Paulo, é grande desde o começo da manhã. Lá está sendo realizado o julgamento que tem previsão para durar até cinco dias. 

Julgamento

O julgamento deve durar de quatro a cinco dias. Em caso de condenação, dificilmente os réus terão o direito de recorrer em liberdade. Se forem absolvidos, o juiz Maurício Fossen terá de emitir um alvará de soltura ao término da sessão.

A primeira etapa do julgamento é o sorteio dos jurados. Sete pessoas serão escolhidas entre um grupo de 40 indivíduos pré-selecionados pela Justiça. Defesa e acusação podem recusar, cada uma, até três pessoas sorteadas. Depois deste processo, serão ouvidas as testemunhas.

Primeiro as de acusação (seis) e depois as da defesa (20) - três deles coincidem com as de acusação, daí o total de 23. A maioria é formada por policiais, peritos e médicos-legislas que aturam no caso. Por fim, os réus serão interrogados.

Concluída a fase dos depoimentos, será a vez dos debates entre a acusação e a defesa. Cada um terá o direito de falar por duas horas e meia. Se a promotoria quiser, poderá usar mais duas horas para réplica, o que automaticamente dará direito à defesa de usar o mesmo tempo para tréplica.

Terminado o debate, os jurados serão questionados pelo juiz se têm condição de julgar o caso e se querem alguma explicação. Se o júri responder que sim, todos passarão à sala secreta e decidirão o destino do casal.

O casal é acusado de homicídio triplamente qualificado por motivo torpe, meio cruel e impossibilidade de defesa da vítima.

Futura Press
Carro em que Alexandre Nardoni foi levado ao Fórum de Santana

Carro em que Alexandre Nardoni foi levado ao Fórum de Santana

Estratégias

Este será um dos maiores julgamentos já realizados no País . A morte de Isabella comoveu o País ao colocar como os acusados de um crime bárbaro o pai e a madrasta da menina. Segundo a acusação, Isabella teria sido jogada por Alexandre da janela do apartamento em que morava.

Sem réu confesso do crime, acusação e defesa se debruçaram nos últimos meses para preparar os argumentos que irão levar os sete jurados a inocentar ou culpar o casal. A defesa não descarta ressaltar a presença de uma terceira pessoa na cena do crime, e já decidiu que reforçará a falta de provas do crime. Para a acusação, as provas técnicas são claras. Em entrevista ao iG , o promotor Francisco Cembranelli afirmou ainda que vai explorar o "histórico de vida" dos Nardoni.

A mãe de Isabella, Ana Carolina de Oliveira, é considerada testemunha-chave. Ela é uma das 24 testemunhas arroladas . Ana Carolina não tem dúvidas da culpa do casal e, em entrevista ao iG , disse que sua participação no julgamento é importante por ela conhecer "bem" os Nardoni .

Se o júri considerar o casal culpado, eles poderão ser condenados a uma pena de 12 a 30 anos de reclusão. Alexandre terá uma pena superior a de Anna Carolina por ter cometido crime contra descendente.

Em caso de condenação, dificilmente os réus terão o direito de recorrer em liberdade. Se forem absolvidos, o juiz Maurício Fossen terá de emitir um alvará de soltura ao término da sessão.

AE

Empresário mineiro protesta desde domingo na porta do Fórum de Santana

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