O casal Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá chegou, por volta das 8h30, ao Fórum de Santana, na zona norte de São Paulo, onde será realizado o julgamento da morte de Isabella Nardoni. Os dois, pai e madrasta da menina, são acusados de ter matado a menina no dia 29 de março de 2008.


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Eles aguardam o julgamento em salas separadas, no terceiro andar do fórum. Policiais que fizeram a escolta do casal desde as penitenciárias de Tremembé, no interior de São Paulo, até o fórum, acompanham os acusados.

Os carros que trouxeram o casal entraram pela porta lateral do Fórum, sob forte esquema de segurança. A imprensa não teve acesso aos dois, pois os carros foram direto para a garagem do Fórum.

O casal deixou a prisão em Tremembé, por volta das 6h20 desta segunda-feira, em comboios separados. Eles estão detidos desde maio de 2008.

O julgamento começará às 13h e, segundo estimativa feita pelo juiz Maurício Fossen ao Tribunal de Justiça, deve durar até cinco dias. Em frente ao Fórum, alguns curiosos e estudantes de direito.

Na disputa por uma das 47 vagas no plenário do fórum para assistir ao julgamento estão, entre outros, estudantes de Direito da Faculdade de Direito de São Bernardo do Campo, no Grande ABC. Cecília Santana, de 18 anos, veio acompanhada de duas amigas, Juliana Marim, de 18 anos, e Laís Chiarato, de 21 anos. "Estou aqui para aprender. Já acompanhei alguns julgamentos, mas nada que se compare a este"

Segundo ela, foram prometidos dez lugares para o público. "Mesmo que não consiga, acho que já valeu a experiência de conversar com outras pessoas e ver a movimentação", afirmou.

Futura Press
Carro em que Alexandre Nardoni foi levado ao Fórum de Santana

Carro em que Alexandre Nardoni foi levado ao Fórum de Santana

Estratégias

Este será um dos maiores julgamentos já realizados no País . A morte de Isabella comoveu o País ao colocar como os acusados de um crime bárbaro o pai e a madrasta da menina. Segundo a acusação, Isabella teria sido jogada por Alexandre da janela do apartamento em que morava.

Sem réu confesso do crime, acusação e defesa se debruçaram nos últimos meses para preparar os argumentos que irão levar os sete jurados a inocentar ou culpar o casal. A defesa não descarta ressaltar a presença de uma terceira pessoa na cena do crime, e já decidiu que reforçará a falta de provas do crime. Para a acusação, as provas técnicas são claras. Em entrevista ao iG , o promotor Francisco Cembranelli afirmou ainda que vai explorar o "histórico de vida" dos Nardoni.

A mãe de Isabella, Ana Carolina de Oliveira, é considerada testemunha-chave. Ela é uma das 24 testemunhas arroladas . Ana Carolina não tem dúvidas da culpa do casal e, em entrevista ao iG , disse que sua participação no julgamento é importante por ela conhecer "bem" os Nardoni .

Se o júri considerar o casal culpado, eles poderão ser condenados a uma pena de 12 a 30 anos de reclusão. Alexandre terá uma pena superior a de Anna Carolina por ter cometido crime contra descendente.

Em caso de condenação, dificilmente os réus terão o direito de recorrer em liberdade. Se forem absolvidos, o juiz Maurício Fossen terá de emitir um alvará de soltura ao término da sessão

Segurança reforçada

AE
Homem protesta em frente ao Fórum
Homem protesta em frente ao Fórum
Com policiamento reforçado - foi a primeira vez, por exemplo, que homens do 9º Batalhão da Polícia Militar foram chamados por causa de um julgamento -, o acesso ao Fórum será restrito. Na sala do júri, apenas 77 pessoas estarão na plateia, sendo 20 delas jornalistas, que estarão, porém, proibidos de transmitir qualquer imagem ou áudio do julgamento.

Uma faixa da Avenida Engenheiro Caetano Alvares, onde está localizado o Fórum, está interditada. Homens da Companhia de Engenharia de Tráfego também foram mobilizados para orientar os motoristas na região. ( Acompanhe o trânsito em tempo real )

Passo a passo do julgamento

Antes do início do julgamento, serão sorteados os 7 jurados que farão parte do Conselho de Sentença. Tanto a defesa como a acusação podem negar até três pessoas sem justificar o motivo. O juiz Maurício Fossem sorteou 40 pessoas dentre as cerca de 6 mil inscritas para participar como jurado. São 17 homens e 23 mulheres, todos maiores de 18 anos e moradores da cidade de São Paulo. O normal é que o magistrado sorteie apenas 25, mas por precaução ¿ para evitar a falta de quórum ¿ foram sorteadas a mais.

Escolhidos os jurados, começará o interrogatório das testemunhas de acusação e, em seguida, as de defesa. Não há tempo mínimo ou máximo para isso.

Ao término de todas as testemunhas, os réus serão interrogados. Ainda não se sabe quem será ouvido primeiro, se Alexandre Nardoni ou Anna Carolina Jatobá. A expectativa é que isso aconteça apenas na quarta-feira, dia 24. Enquanto um responde às perguntas, o outro não poderá permanecer na sala para não ser influenciado.

A última fase do julgamento é o debate entre acusação e defesa. O promotor Francisco Cembranelli falará por 2h30, período em que deve apresentar vídeos, fotos e até uma maquete do Edifício London para convencer os jurados do que se passou na noite de 29 de março de 2008. Depois, será a vez o advogado de defesa Roberto Podval, que também terá 2h30, e promete levar ao tribunal a tela da janela e roupas do casal. A acusação terá réplica de 2h e a defesa tréplica de mais 2h.

Terminado o debate, o juiz lerá em público os quesitos e explicará cada um deles aos jurados. Elas irão a uma sala secreta onde votarão se o casal é culpado ou não pela morte de Isabella. Quem determinará a pena, em caso de culpa, é o juiz.

AE
Muro pichado ao lado do Fórum

Muro pichado ao lado do Fórum

Feita a votação, Fossen redigirá a sentença e voltará ao plenário para anunciá-la. Para homicídio qualificado, a pena mínima estabelecida em lei é de 12 anos. Do jeito que está a acusação ela prevê de 15 a 18 anos, afirma Cembranelli, sendo que, se condenado, Alexandre terá uma pena superior a de Anna Carolina por ter cometido crime contra descendente.

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