Aumenta movimentação em frente ao fórum onde o casal Nardoni será julgado

Aos poucos começa a aumentar a movimentação de curiosos em frente ao Fórum de Santana, na avenida Engenheiro Caetano Álvares, na zona norte de São Paulo, onde serão julgados Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá. Os dois, pai e madrasta da menina, são acusados de ter matado a menina no dia 29 de março de 2008.

Lecticia Maggi e Ricardo Galhardo, iG São Paulo |


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Algumas pessoas vieram de longe para protestar. É o caso do empresário André Luiz dos Santos, de 49 anos. Ele afirma que saiu no sábado de Ponte Nova, em Minas Gerias, rumo a São Paulo.

Santos diz ter viajado 800 km de ônibus para pedir paz. Em uma cruz, que diz pesar 30 quilos, há diversos cartazes com a foto de Isabella. Em um dele a inscrição fui assassinada pelo amor do meu pai e pelo meu pai que me amava. Eu já estive na reconstituição e em Brasília. Quero que parem de matar crianças, afirmou em entrevista ao iG.

AE
Empresário mineiro protesta desde domingo na porta do Fórum de Santana
O radialista Hécio Antonio Rodrigues Sécio, de 72 anos, saiu de Santo André, no ABC Paulista, para, segundo ele, prestar solidariedade para a mãe de Isabella. Com uma foto do filho nas mãos, Césio conta que em janeiro de 97, Hécio Junior, na época com 27 anos, foi assassinado com seis tiros. Foi num motivo banal em uma briga com o zelador do prédio da noiva dele. Vim aqui pedir paz por todos os pais que como eu e a mãe de Isabella agora são órfãos de filho.

Vestindo uma camiseta com a foto de Isabella e a inscrição Para sempre a nossa estrelinha, a representante comercial Maria Lucia Guimarães, 60 anos, chegou ao Fórum de Santana por volta das 10h30. Ela afirmou que é amiga do avô materno de Isabella, José, e vizinha da família. Maria Lúcia aguarda a chegada de novos amigos de Ana Carolina Oliveira. Não precisa ser mãe para pedir Justiça. Acredito que se fosse um sequestrador, ou uma terceira pessoa, ia pegar a menina e ir embora. E não cortar a tela e jogá-la pela janela. Junto com Maria Lucia, estão outras 20 pessoas que moram na rua dos avós maternos de Isabella.

Pedidos de Justiça

Em frente ao fórum, pais de outras crianças assassinadas pedem Justiça e mudança no código penal brasileiro. O casal Wilson Caetano Araújo, de 51 anos, técnico de produção, e Ângela Araujo, de 46 anos, dona de casa, teve a filha Emily, de 13 anos, assassinada na porta da casa em que moravam em São Vicente, no litoral de São Paul, por um garoto de 13 anos. O crime aconteceu em 20 de maio 2007 e outros três menores participaram da ação. Eles passaram de bicicleta, viram ela com a máquina fotográfica e planejaram o crime, afirma Araújo.

O casal faz parte do Encontro Unificado pelas Vítimas da Impunidade (Euvi) que reúne associações de pessoas que perderam parentes de forma violenta. Araujo defende a emancipação de menores que cometeram crimes hediondos e o fim do tempo máximo de reclusão. Daqui a pouco os assassinos da minha filha estarão soltos. Mesmo se o casal Nardoni for condenado, passados um sexto da pena, cerca de cinco anos, eles já devem estarão nas ruas.

Araujo explica que recolhe assinaturas para pedir um plebiscito em que a população decida se quer as mudanças na lei. Temos cerca de 200 mil assinaturas e precisamos de 1,3 milhão para pedir o plebiscito.

Todas as testemunhas, exceto o delegado Calixto, três médicos legista, um escrivão e um investigador já chegaram.

Vagas na plateia

Na disputa por uma das 47 vagas no plenário para assistir ao julgamento estão estudantes de Direito da Faculdade de Direito de São Bernardo do Campo, no Grande ABC. Antes das 8h desta segunda-feira, eles já estavam em frente do Fórum na tentativa de conseguir um lugar para o julgamento que terá início às 13h

A estudante Cecília Santana, de 18 anos, veio acompanhada de duas amigas, Juliana Marim, 18, e Laís Chiarato, 21. "Estou aqui para aprender. Já acompanhei alguns julgamentos, mas nada que se compare a este". Segundo ela, foram prometidos dez lugares para o público. Mesmo que não consiga, acho que já valeu a experiência de conversar com outras pessoas e ver a movimentação.

Em busca de votos

Já o pedreiro desempregado Manoel do Santos, conhecido por "Bin Laden", assume que foi ao Fórum de Santana só para aparecer. Ele que foi candidato a vereador nas eleições de 2008 e teve 209 votos, está no local em busca de eleitores. Se eu quisesse acompanhar o caso ficaria em casa vendo pela TV. Eu vim aqui pra aparecer mesmo. Quero disputar essa eleição e preciso alavancar minha candidatura, afirmou o candidato de barba grande, com um chapéu que parece um turbante e uma macacão laranja com faixas fluorescentes. "Bin Laden" chegou a local após pedalar por cerca de 40 minutos do Jardim Elisa Maria, na zona norte de cidade.

Outro grupo presente é o "Encontro Unificado das Vítimas da Impunidade". Muitos vieram de outras cidades, como Santos e São Vicente. Eles dizem que formaram o grupo quando aconteceu o caso, em março de 2008, para pedir mudanças no Estatudo da Criança e do Adolescente (ECA). Hoje, em frente ao fórum, tentam reunir assinaturas de apoio a mudanças no ECA. "Vi na TV o caso e isso me fez sair do sofá para tomar uma atitude", afirmou a dona de casa Sandra Domingues, de 42 anos.

Há também um grupo de cinco crianças, entre 7 e 12 anos, moradoras da rua de trás do Fórum de Santana, estava na frente do prédio. Em folhas de caderno, elas pediam: "Quermos justiça!" Aproximadamente 30 policiais militares fazem a segurança do prédio onde ocorrerá o julgamento.

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