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Às vésperas do julgamento do casal Nardoni, médicos prometem livros com revelações

O julgamento do casal Nardoni, acusado de matar Isabella Nardoni, de 5 anos, marcado para o próximo dia 22 de março, não deve encerrar a discussão em torno da morte da menina no que depender dos médicos George Samuel Sanguinetti e Paulo Roberto Papandreu. Os dois escreveram livros em que contestam a versão oficial da polícia para o crime e prometem ¿revelações¿ sobre o caso.

Lecticia Maggi, iG São Paulo |

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    Capa do livro de Papandreu não cita Isabella
    Para eles, o julgamento de Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá, independentemente do resultado, não colocará ponto final na polêmica.

    Mesmo após ter o 1º livro que escreveu sobre Isabella apreendido pela Justiça paulista, o médico gaúcho Paulo Papandreu, de 53 anos, não se intimida. Antes mesmo do julgamento do casal, promete pré-lançar outra obra. Desta vez, com outro nome, sem a foto de Isabella ou menção direta à garota, mas com a mesma tese: a morte foi um acidente doméstico.

    Tirei a linguagem técnica e o jeito objetivo de escrever, que poderia chocar as pessoas. Agora, mostro a verdade de forma mais suave, afirmou em entrevista ao iG .

    A reportagem teve acesso ao material bruto do livro, que mistura ficção e realidade, e utiliza metáforas para recontar o caso. Papandreu começa o texto com uma audiência no céu, em que um guardião argumenta se a menina deve entrar pela janela dos que sofrem acidentes domésticos ou a dos que são assassinados.

    O médico defende que a esganadura ¿ que, para ele, seria a única prova do assassinato ¿ não aconteceu e questiona quais motivos levariam um casal dentro dos padrões a cometer um crime tão brutal. O comportamento deles não embala suspeitas. Não existe uma doença que acomete um casal e este combine entre si para trucidar um filho, diz. Em outro trecho, reforça: o casal não possuía histórico de desequilíbrio mental que pudesse explicar tamanha violência, não havia pressões socioeconômicas envolvidas e os exames laboratoriais não demonstraram a existência de substâncias psicoativas no organismo deles.

    Após conversar com advogados, analisar os laudos e visitar o cenário do crime um mês após a morte, Papandreu afirma que se convenceu de que a menina acordou, procurou pelo pai e não o encontrou. Ao se ver sozinha no apartamento, entrou em desespero e, na tentativa de encontrar um rosto familiar, cortou a rede de proteção da janela do quarto dos irmãos. Projetou a parte superior do corpo no buraco ali feito por ela, mas desequilibrou-se para fora. (...) Fraquejou e caiu, descreve o livro.

    Papandreu nega que tenha recebido dinheiro da família Nardoni e diz que não tem motivos para favorecer o casal. Nunca recebi, de nenhuma fonte, um centavo sequer. Acumulei prejuízos, enfatiza.  Qual foi, então, a motivação para escrever o livro? A vontade de Justiça. Eu enxerguei o que ninguém via e achei que se não fizesse nada estaria ferindo a minha ética e minha consciência, explica.

    Para ele, o casal não deveria responder por homicídio doloso triplamente qualificado (impossibilidade de defesa da vítima, meio cruel e feito para encobrir um crime anterior), mas sim, por homicídio culposo, apenas por ter deixado a criança sozinha e assumido os riscos de que ela se envolvesse em um acidente.

    Quando chamado de oportunista e criticado por querer ganhar dinheiro às custas da tragédia, Papandreu não se abala: não vejo mal algum em ganhar dinheiro honesto, ainda mais vindo da venda de um livro, que as pessoas só adquirem se lhes interessa.

    Sanguinetti e a motivação

    Arquivo pessoal

    Sanguinetti promete revelar a motivação para a morte da menina

    O médico alagoano George Sanguinetti também diz que se motivou a escrever Quem matou Isabella Nardoni na tentativa de contribuir para o aprimoramento da medicina legal brasileira. No livro, promete algo inédito: revelar a motivação do crime. Vou falar o que ninguém tem: a razão para ela ter sido jogada com violência da janela do 6º andar do Edfício London, afirma.

    Sanguinetti tornou-se conhecido nacionalmente após contestar os laudos sobre a morte de Paulo César Farias, ex-tesoureiro do então presidente Fernando Collor de Mello, e da namorada dele, Suzana Marcolino. Da investigação do caso surgiu o A morte de PC Farias: o dossiê de Sanguinetti, que lhe rendeu o prêmio Jabuti de melhor livro reportagem em 1998.

    Em maio de 2008, o médico foi contratado pela família de Alexandre Nardoni para revisar os laudos do caso. Durante a análise, diz ter encontrado erros crassos cometidos pela perícia: não havia marcas nem internas nem externas de uma esganadura; dizem que ela quebrou a bacia e o rádio ao ser jogada com violência no assoalho, mas essas fraturas só poderiam acontecer pela queda do 6º andar.

    Sanguinetti se refere ao médico Papandreu como um grande colega, mas afirma que discorda totalmente da tese dele. Não faz sentido uma menina que fica sem os pais por 9 minutos ao invés de gritar e chorar, pegar uma tesoura, cortar a tela da janela e ainda colocá-la de volta na cozinha antes de cair, argumenta.

    No livro, o perito diz que o crime pode ter sido cometido por uma terceira pessoa, mas também não descarta a participação do casal. Não sei a autoria, mas sei que faltou investigação. As provas que hoje imputam autoria ao casal são as mesmas que os absolvem, afirma.

    Sanguinetti diz que teve o contrato honrado e foi pago em dia pela família do acusado, mas hoje já não trabalha mais para a defesa. Soube que o novo advogado vai defender a tese de acidente, explica.

    Agora, o médico aguarda o término do julgamento para lançar seu livro e, com isso, reacender novamente a dúvida: Quem matou Isabella Nardoni?.


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