Em depoimento dado na tarde desta quinta-feira, Alexandre Nardoni revelou que tem medo de retaliações contra ele e contra a família. Acusado de matar a filha, o réu afirmou e que o pai, Antonio Nardoni, está sendo perseguido por policiais que seriam do 9º DP e que explodiram a caixa de correio do primeiro advogado de defesa, Ricardo Martins.


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Tenho medo de retaliações. A mim, a minha mulher, aos meus filhos e a minha família. Alexandre tentou deixar registrado nos autos sua preocupação, mas o juiz afirmou que não seria possível e que é o seu advogado que deve fazer isso em outro momento.

O depoimento de Alexandre Nardoni no período da tarde foi retomado às 15h15 com as perguntas da assistente de acusação, Cristina Christo Leite. Durante 15 minutos, ela fez perguntas sobre o pagamento da pensão, a relação entre o casal e Ana Carolina de Oliveira, mãe de Isabella, e ciúmes. Ao ser questionado se Anna Jatobá era ciumenta, Alexandre relativizou: Tanto a minha esposa quanto a mãe de minha filha sempre tiveram ciúmes. Como eu também tenho e um casal normal, quando se gosta, tem.

No interrogatório do advogado de defesa, Roberto Podval, Alexandre relatou seu medo quanto as retaliações. O réu se levantou duas vezes para mostrar na maquete alguns detalhes do que tinha acontecido. Em uma dessas vezes relatou que havia um erro. Afirmou que o portão de entrada dos funcionários que na maquete está ao lado da guarita fica, na verdade, embaixo dela.

Durante o depoimento, Alexandre passou o tempo todo negando as acusações. Negou que soubesse de tese de asfixia, até ser informado pela polícia, e que tenha, alguma vez, atirado um dos filhos no chão.

O advogado passou uma animação por computador feita pelo Instituto de Criminalística (IC) que mostra o que teria acontecido segundo a versão da acusação. Por várias vezes falou: Isso é totalmente mentiroso. Não sei de onde tiraram essa história. Em um desses momentos, o vídeo mostra Alexandre em pé sobre a cama dos filhos e encostado na tela pra jogar a Isabella pela janela. O réu comentou que bateria a cabeça no teto se ficasse em pé sobre a cama dos filhos. Mas, no entanto, quando ele foi justificar as marcas da tela na camiseta que estava usando no dia, e que segundo a acusação seria por causa do contato no momento de jogar Isabella, Alexandre disse que estava com um dos filhos no colo e colocou a cabeça para ver Isabella lá embaixo. Neste momento ele não questionou que pela altura da cama ele bateria a cabeça no teto.

Alexandre ainda fez ataques a delegada Renata Pontes, que presidiu o inquérito policial e afirmou durante o julgamento que tem 100% de certeza que o casal cometeu o crime. Segundo ele, em uma das vezes que foi a delegacia viu que tinha uma foto da Isabella na mesa. Ao ser questionada porque tinha a foto e quem teria dado autorização, ela não respondeu.

Podval também perguntou sobre como é a relação dele com os filhos. Nardoni disse que a família foi destruída, que os filhos agora vivem com os avós e que se veem só uma vez por semana, na cadeia, quando vão visitar.

No último momento do depimento, Podval perguntou se Alexandre saberia explicar o que aconteceu naquele dia. Não, não sei explicar, respondeu.  "Então você só pode dizer que não teve participação nenhuma?" questionou o advogado. Nardoni começou a responder não, a minha família é tudo pra mim.. quando o juiz interrompeu bruscamente o depoimento e afirmou que Alexandre já havia dado a resposta.

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