Alexandre Nardoni chora e nega, mais uma vez, ter matado a filha Isabella

Alexandre Nardoni, que prestou depoimento por cinco horas nesta quinta-feira no Fórum de Santana, negou mais uma vez que tenha matado a filha Isabella Nardoni. Emocionado, ele disse que não deseja ao pior inimigo que veja a filha morta. Somos inocentes e vamos brigar por isso até o resto de nossas vidas. Era tudo de mais valioso que eu tinha, disse em referência à Isabella.

Lecticia Maggi, iG São Paulo |


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Anna Carolina Jatobá não acompanhou o depoimento de Alexandre. O casal é acusado de ter matado a menina em 29 de março de 2008. Ela foi jogada, segundo o Ministério Público, da janela do apartamento em que Alexandre e Anna Jatobá moravam.

Choro

Durante o interrogatório, no qual chorou por três vezes, Alexandre disse ainda que é falsa a informação de que ele teria alterado o local do crime. Destacou que a versão apresentada contra ele "não existe e é mentirosa".

"Não tenho palavras para dizer o que senti quando vi Isabella morta. Era muito desespero", afirmou. "Quando descemos para socorrer minha filha, deixamos a porta [do apartamento] aberta. Eu, desesperado, gritando. Eu falava: 'olha, filha, calma, calma'. Ouvi o coraçãozinho dela muito acelerado. Foi um desespero".

Ele também negou que tivesse tido alguma discussão no carro. A perícia encontrou, segundo inquérito, marcas de sangue de Isabella no veículo dos Nardoni. Segundo a acusação, as agressões contra a menina começaram no carro.

AE
Populares em frente ao Fórum de Santana pedem por Justiça

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Outro momento em que Alexandre se emocionou foi quando disse que foi ao necrotério reconhecer o corpo da filha. Ela dentro do saco preto e eles me perguntando se eu a conhecia. É uma coisa que não desejo para o meu pior inimigo, afirmou, em uma das muitas vezes em que disse que o que lhe aconteceu não deseja para ninguém.

Questionado, Alexandre também contou que nunca mais conversou com Ana Carolina desde a morte da filha. Ele disse que não houve um motivo especifico para isso, mas porque passou muito tempo na delegacia prestando esclarecimentos, depois foi para velório, logo depois enterro e preso.

Dia com Isabella

Alexandre também deu detalhes de como foi o dia em que Isabella morreu . Emocionou-se ao dizer que, durante a tarde, a menina tinha ensinado o irmão a nadar e andado de moto. "Ela se divertiu o dia todo e, depois, vejo ali, falecida".

Sobre não ter prestado socorro à filha, afirmou que um morador do 1º andar do prédio disse que seria melhor não mexer na menina. Ele destacou ainda que os bombeiros demoraram cerca de 30 minutos para chegar. Quando os policiais chegaram, eu disse que tinham entrado no meu apartamento, mas a porta não foi arrombada, afirmou.

Brigas

Ao ser questionado sobre as brigas com Anna Carolina Jatobá, madrasta de Isabella, ele disse que os dois tinham apenas "brigas normais de casal" e que não eram constantes. "Nos divertíamos muito". O juiz perguntou se eles costumam se xingar. "Eu nunca xinguei minha esposa. Ela, acho, que algumas vezes me xingou, não lembro. Mas ela tem a voz tão alta que as pessoas acham que ela está brigando."

Sobre a mãe de Isabella, afirmou que "nunca teve problemas" de relacionamento com ela, provocando um riso irônico do avô materno de Isabella, o comerciante José Arcanjo de Oliveira. Já com a avó materna, Rosa Cunha de Oliveira, disse que brigou "porque ela queria que a criança fosse abortada". Neste momento Arcanjo de Oliveira deu risada diante da afirmação e se mostrou alterado. Ele foi contido pelo filho Leonardo, um dos irmãos de Ana Carolina Oliveira.

"Proposta" do delegado

Alexandre ainda disse ter recebido, o que ele definiu como "proposta", do delegado Calixto Calil Filho, do 9º Distrito Policial, para que assinasse um termo no qual assumiria o homicídio culposo e tiraria a Anna Jatobá do caso.

O réu conta que foi levado para uma sala isolada e colocado em uma cadeira. Ali, foi cercado por investigadores e enfrentou uma sessão de xingamentos. "Reclamei com o delegado Calixto Calil, mas ele também me disse palavras de baixo calão. Todos ali bateram na mesa, jogaram copos e garrafas em cima de mim, e uma lixeira. Eu não entendia por que estavam fazendo aquilo comigo."

AE
Confusão para entrada do público ao Fórum de Santana

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O casal Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá é acusado de homicídio triplamente qualificado por motivo torpe, meio cruel e impossibilidade de defesa da vítima.

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