Advogado diz que dispensou testemunhas porque julgamento longo prejudicaria os acusados

O advogado Roberto Podval, que defende o casal Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá, afirmou que dispensou todas as testemunhas que ainda eram esperadas no julgamento porque a demora poderia prejudicar a análise dos jurados. ¿Se todas fossem ouvidas o julgamento só acabaria no domingo. Não sei se os jurados teriam paciência¿, afirmou.

Lecticia Maggi e Matheus Pichonelli, iG São Paulo |


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Nesta quarta-feira, foram ouvidas a perita Rosangela Monteiro, testemunha tanto da acusação como da defesa; e as testemunhas da defesa Rogério Pagnan, jornalista da "Folha de S. Paulo" e Jair Stibulov, escrivão do 9º DP de São Paulo.

Entre as testemunhas que foram dispensadas está o pedreiro Gabriel dos Santos Neto, que afirmou em entrevista a Pagnan que uma obra nos fundos dos prédios foi arrombada no dia do crime. Ele não havia sido encontrado até a véspera do júri, mas na segunda-feira apareceu no Fórum de Santanna, vindo da Bahia. Nunca o coloquei como imprescindível. Ele era tão importante como os outros. Ouvi o jornalista afirmando o que ele tinha dito, mas na polícia ele desmentiu. Achei que ele iria se justificar. Se teve a matéria foi porque ele falou.

Para o promotor Franscisco Cembranelli, a defesa "arrolou diversas testemunhas sem qualquer objetivo". "Os coitados ficaram aqui três dias confinados, sofrendo, para depois serem dispensados", criticou.

Cembranelli afirmou que o depoimento da perita Rosangela, que durou mais de seis horas, foi bastante categórico e esclarecedor. "Ela demonstrou cientificamente todos os pontos. Para mim, a defesa, que fez ameaças de desqualificar o trabalho da perícia, teve um desempenho pífio. Em algumas horas, não sabia nem o que perguntar", afirmou.

Segundo ele, "as provas, que já eram fortes, foram confirmadas pelos peritos nesta quarta-feira". Cembranelli se mostrou satisfeito com o julgamento e disse que os jurados já têm uma boa idéia da situação. 

Já Podval, por sua vez, insistiu que "não há provas" contra o casal até o momento. Ele disse que não ficou provado que houve lesão sobre Isabella. Em relação às provas apresentadas com base nas marcas deixadas na camiseta pela de proteção da tela, Podval disse que não ficou"confortável". "Ele poderia ter só saído para ver". O advogado criticou novamente a reconstituição do crime: "o corte feito não foi igual e a pessoa não era ele". Ele disse ainda que houve falhas na apresentação da maquete do edifício London, onde aconteceu o crime. Segundo ele, parte da dinâmica apresentada durante o julgamento sobre como aconteceu o crime não estava representada na maquete ¿ como, por exemplo, o sangue na porta de um dos quartos.

Acareação

Nesta quarta-feira, o juiz Maurício Fossen chegou a indeferir o pedido da defesa para que Ana Carolina permanecesse no Fórum para uma possível acareação com os acusados. Depois, após consultar a Constituição, Fossen voltou atrás e disse que a mãe de Isabella deverá continuar incomunicável e à disposição da Justiça.

Apesar de dizer que tem interesse, Podval não garantiu se a acareação realmente ocorrerá: não sei se pedirei. Dependo do interrogatório dos réus porque a acareação é feita para contrariar pontos dos acusados e da mãe". Ele justificou o pedido dizendo que tem receio de ser cerceado durante o interrogatório.

A atitude do advogado novamente foi muito criticada pelo promotor. Se houver acareação é por desespero da defesa, uma tentativa de trazer algo novo, afirmou, acrescentando que, como antecipou o iG ,  Ana Carolina está bastante deprimida por ficar isolada e não poder acompanhar o julgamento dos acusados de matarem a filha dela. Ela está deprimida e cumprindo prisão imposta pela defesa, disse. Ana Carolina, conforme ele, trocou de sala para ficar mais perto do corpo médico do Fórum.

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