Carisma pesa mais do que partido na escolha do eleitor

Cientista político avalia que personalismo do político é que determina opção do eleitorado, em detrimento do programa partidário

Kelly Martins, iG Cuiabá |

O personalismo (ou carisma) do político é muito mais determinante para definir uma eleição do que o partido político que ele representa.

A análise é do professor e cientista político João Edisom de Souza, para quem o eleitorado costuma eleger o candidato que demonstre maior capacidade de transformar a realidade regional.

Sobre o comportamento do eleitorado mato-grossense no primeiro turno – marcado pela reeleição do governador Silval Barbosa (PMDB) mas também pela derrota da aliada Dilma à Presidência – Souza assinala que “não existe mais a transferência de votos. O eleitor vota de maneira pragmática e em quem acha que vai melhorar a vida dele”, explicou.

Para o cientista, “o continuísmo também está sob análise, principalmente quando a administração foi considerada positiva”, pontua.

O governador reeleito busca de todas as formas angariar votos para a candidata petista à Presidência da República Dilma Rouseff. No primeiro turno, a petista obteve 42% dos votos, enquanto Serra conquistou 44%.

Souza entende que o ‘sucesso’ do governo Lula está condicionado ao modelo “assistencialista” dos programas federais, a exemplo do Bolsa Família.

Segundo o cientista, o Bolsa Família não teria atingido as classes mais carentes da sociedade mato-grossense, que passa a não reconhecer o programa federal como realidade. “A maior parte da população local não depende do assistencialismo oferecido pelo governo federal”, acrescenta.

Ele acrescenta que “o governo Lula até foi visto com bons olhos, mas Dilma não representa o PT em Mato Grosso. Prova disso foi a queda dos petistas nas eleições”, dispara.

Além da derrota de Dilma, o professor aponta o resultado adverso nas urnas do deputado federal Carlos Abicalil (PT), que buscava uma cadeira no Senado e da senadora Serys Slhessarenko (PT), na disputa por uma vaga na Câmara Federal.

Dentro desse cenário, a tendência é que a maioria dos eleitores prefira manter o voto a Serra do que mudar para Dilma.

Ao mesmo tempo, o governador Silval Barbosa (PMDB) foi bem-sucedido ao colar sua gestão como continuidade ao governo Blairo Maggi (PP), recém-eleito para o Senado do Estado.

De então vice, Barbosa conseguiu herdar o cargo de governador em abril deste ano, quando Blairo Maggi (PR) renunciou o mandato para disputar como senador, sendo eleito com mais de um milhão de votos.

Outro fator evidenciado pelo cientista político se refere às poucas propostas apresentadas por Dilma e Serra para a região.

Ambos demonstram querer levar adiante antigas promessas para melhorar a infraestrutura e a logística de escoamento da produção.

Entre as obras consideradas prioritárias, destaque para a conclusão da pavimentação de rodovias federais BR-163 (que liga Cuiabá a Santarém, no Pará) e da BR 158 (no Vale do Araguaia).

Outros empreendimentos importantes se referem à conclusão do trecho da Ferronorte que liga as cidades de Rondonópolis a Cuiabá, bem como o desenvolvimento de projetos do Estado no agronegócio.

No campo da Segurança Pública, prossegue o cientista, Serra propôs a criação da Guarda Nacional para cuidar das fronteiras.

O tucano defende que o governo federal ocupe a fronteira entre Brasil e Bolívia, principalmente na região do município mato-grossense de Cáceres, onde existem cerca de 750 km de fronteira seca que atualmente é vistoriada apenas pelo Grupo Especial de Fronteira (Gefron), ligado à Polícia Militar do Estado.

Dilma, por sua vez, promete dar concretizar a obra de construção da Ferrovia Centro-Oeste, que ligará o Estado a Goiás e Rondônia e será um importante eixo para escoamento.

Isso será feito, segundo ela, na segunda etapa do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC 2).

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