Captura de Eichmann, único nazista justiçado em Israel, completa 50 anos

Elías L.Benarroch.

EFE |

Jerusalém, 11 mai (EFE).- No dia 11 de maio de 1960 três anos de caçada acabaram quando o Mossad, o serviço secreto israelense, capturou Adolf Eichmann, o único nazista justiçado em Israel pelo assassinato de seis milhões de judeus durante o Holocausto. Cinquenta anos depois do episódio que comoveu à sociedade israelense de então, um de seus seqüestradores, Rafi Eitan, assegura que a escolha de Eichmann como símbolo da busca por justiça do horror nazista foi uma "mera casualidade". "Isser (Harel, então chefe do Mossad) já tinha a cabeça feita. Disse que tínhamos que julgar um dos líderes nazistas em Israel, não importava quem fosse", lembra Eitan, que era chefe da Unidade Conjunta de Operações dos serviços secretos israelenses e foi enviado a Buenos Aires para capturá-lo. Eram os primeiros anos de vida do Estado judeu, criado em 1948, e julgar um dos responsáveis do genocídio representava não só um ato de justiça, mas também uma forma de dizer ao mundo que, legalmente, Israel era responsável por todos os judeus, independente de onde vivessem. "Harel saía das reuniões com o primeiro-ministro David Ben Gurion e perguntava: Quem podemos trazer? Brunner? Müller? Mengele? Bormann? Eichmann? Dime? Quem!", lembra Eitan, de 84 anos, em uma entrevista ao jornal "Ha'aretz". Ele era então um dos altos comandantes da espionagem israelense e depois e depois, entre 2006 e 2009, foi ministro para Assuntos dos Aposentados. Eitan foi posto no comando da operação da captura em março de 1960 escolheu sete pessoas - de um grupo de 250 à sua disposição - para trabalhar exclusivamente no caso. A escolha de Eichmann, encarregado do transporte de milhões de judeus dos guetos para os campos de concentração e de extermínio, foi realmente fortuita e, segundo diferentes testemunhos, fruto de poucas pressões. Graças às atividades de grupos voluntários judeus dedicados à caça de nazistas, desde 1954 tinham chegado a Israel informações sobre onde o oficial das SS vivia em Buenos Aires. Ele usava o nome de Ricardo Klement e trabalhava para uma companhia de água. A informação não despertou a curiosidade dos serviços secretos israelenses - ocupados então com um sério problema estratégico regional -, mas entre 1957 e 1959 a insistência de um fiscal judeu do estado alemão de Hesse, Fritz Bauer, conseguiu que finalmente a Mossad enviasse uma equipe para capturar Eichmann. Yaakov Gat, um dos sete membros do comando, está convencido que só uma pessoa pode ter obrigado o chefe do Mossad a reabrir o caso após tê-lo rejeitado em pelo menos duas ocasiões por considerar que as provas não eram sólidas. "Só uma pessoa como Ben Gurion podia forçar Harel a retomar a investigação. É verdade que foi Bauer que pressionou, mas na minha opinião a comunidade judaica americana pressionou Ben Gurion para que Israel fizesse vingança em nome de todo o povo judeu", explica o octogenário agente ao "Ha'aretz". Os detalhes da operação que conduziu à captura de Eichman - em meio a uma grande polêmica com a Argentina, já que ele foi tirado do país em um avião oficial do ministro de Exteriores israelense, Abba Eban - aparece em inúmeros livros e foram levados ao cinema. "The House on Garibaldi Street: the First Full Account of the Capture of Adolf Eichmann" (1975), escrito pelo então chefe do Mossad, se transformou com o tempo em um dos clássicos mundiais da espionagem, enquanto "Eichmann In My Hands" (1991), de Peter Z. Malkin, outro dos membros do comando que o capturou, expõe os sentimentos contraditórios de um judeu com relação a um dirigente nazista apenas 15 anos depois do Holocausto. Após ser julgado por um tribunal que o condenou à pena capital por crimes contra a humanidade, o ex-oficial das SS foi enforcado no dia 1 de junho de 1962 e seus restos incinerados. Para evitar o culto de futuros neonazistas, suas cinzas foram dispersadas no Mar Mediterrâneo por um navio da Armada israelense na presença de alguns sobreviventes do Holocausto, fora das águas jurisdicionais de Israel. Passariam 24 anos até que outro nazista, John Demjanjuk, se sentasse no banco dos réus em Israel como o suposto "Ivan, o Terrível" de Treblinka. No entanto ele foi absolvido pela Corte Suprema após ter sido condenado a forca por uma instância inferior. EFE elb-amg/pb-dm

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG