Woody Allen diverte com mais do mesmo

You Will Meet a Tall Dark Stranger volta a Londres e aos temas da velhice e da morte

Mariane Morisawa, enviada especial a Cannes |

Depois de uma breve volta a Nova York com Tudo Pode Dar Certo , Woody Allen retorna a Londres em You Will Meet a Tall Dark Stranger , exibido na manhã deste sábado (15) para jornalistas, fora da competição do 63o Festival de Cannes. Com a sessão de Another Year imediatamente antes, foi uma manhã londrina de velhice e morte no Grand Théâtre Lumière. No caso de Woody Allen, claro, com mais humor.

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O diretor americano Woody Allen: de volta a Londres
O ponto de partida aqui é a busca de Helena (Gemma Jones) por uma vidente. Ela acaba de ser deixada pelo marido Alfie (Anthony Hopkins), depois que ele entra numa espiral de preocupação com a velhice e a morte. Helena fica obcecada com as previsões da mulher. Enquanto isso, a filha do casal, Sally (Naomi Watts), lida com as dificuldades no casamento, pois a promessa de que o marido Roy (Josh Brolin) tornaria-se um escritor de sucesso não se cumpriu. Ele agora está encantado pela jovem vizinha, Dia (Freida Pinto), ao mesmo tempo em que Sally passa a ter sentimentos pelo chefe, o galerista Greg (Antonio Banderas).

Experiência dolorosa

Trata-se de um Woody Allen clássico, com sua mescla de comédia, romance, traição, atração, ainda que não seja como seus filmes de antigamente. Mas Woody Allen, mesmo quando é mediano e apresenta mais do mesmo, continua sendo melhor do que a maior parte do que se faz no cinema americano.
Na novamente disputadíssima coletiva de imprensa, em seguida à exibição, o diretor disse que suas ideias sobre a vida não mudaram com a idade – ele está com 74 anos.

“Tenho visão pessimista desde sempre, desde que era menino. Para mim, a vida é uma experiência dolorosa, um pesadelo e totalmente sem sentido. Nietzsche, Freud, todos diziam que uma pessoa necessita de ilusões para viver. Se você olha a vida muito honestamente e diretamente, é duro demais”, diz ele. Segundo o diretor, as únicas pessoas felizes do filme são aquelas que acreditam em videntes, previsão do futuro e conversa com os mortos. “Se eu as encontrasse numa festa, acharia que são tolas. Mas seriam mais felizes do que eu.”

Josh Brolin comentou sobre o trabalho com o diretor. “Ele é um diretor incrível porque cria uma eletricidade no set. Mas não diz muito. Se você não chega a entrar no ponto orgânico que ele quer, ele apenas faz uma careta”, disse o ator, que pareceu ter uma relação bem amigável com o cineasta. Allen retribuiu os elogios.

“O truque é ser um bom contratante. Se você contrata Josh, Naomi, não pode errar tanto. Você está contratando esses atores maravilhosos e internacionais, quanto pode errar? Se você contrata as pessoas certas, pode dar a elas a responsabilidade, calar a boca e pegar seu pagamento.” O diretor admitiu que gostaria de trabalhar com Cate Blanchett e Reese Whiterspoon, apesar de nunca tê-las convidado a fazer nada.

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Anthony Hopkins e Naomi Campbell em Will Meet a Tall Dark Stranger
Woody Allen afirmou que não tem atuado muito em seus filmes porque não há mais bons papéis para ele. “Eu era o mocinho romântico. Agora estou velho, não tem graça não interpretar o cara que consegue a garota”, disse. “Imagine minha frustração ao trabalhar com Scarlett Johansson, Naomi Watts, e ver outros caras conseguirem a garota. O velhinho é só o diretor. Eu queria ser o cara que olha fundo no olho delas e mente para elas”, brincou.

Indagado se gostaria de chegar aos 100 como Manoel de Oliveira, Allen respondeu. “Se for como ele, sim. Não gostaria de chegar a essa idade com andador, sem ouvir, babando”, disse. “Mas continuo sendo muito fortemente contra a morte”, brincou. Também recomendou que ninguém envelheça. “Eu acho uma porcaria. Não tem vantagem, você não fica mais inteligente, sábio, tranquilo. Suas costas doem mais, sua digestão é lenta, sua visão fica ruim. É mau negócio.”

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