"Um filme pode ter poesia e divertir", explica Ryan Gosling

Ator de "Drive" fala do longa de ação em Cannes; diretor dinamarquês Nicolas Winding Refn critica declarações de Lars Von Trier

Mariane Morisawa, enviada especial a Cannes |

Getty Images
O diretor de "Drive", Nicolas Winding Refn, e o ator americano Ryan Gosling em Cannes
O conteúdo não foi nem de longe tão explosivo, mas o diretor de “Drive” , Nicolas Winding Refn, mostrou, na coletiva de imprensa do filme, na manhã desta sexta-feira (20) no Festival de Cannes 2011 , que sofre da mesma língua destravada que seu compatriota Lars Von Trier – que, aliás, condenou.

“O que Lars disse foi inaceitável. Acho que mostra que na Dinamarca temos uma mentalidade pequena, não pensamos nas pessoas à nossa volta. O que ele faz é com ele, Lars tem 50 anos de idade.” Durante a entrevista, Refn foi longe nas brincadeiras sobre seu trabalho com o ator Ryan Gosling. “É preciso estabelecer uma relação, fazer sexo com o ator”, disse. Mais tarde, ainda falou: “Claro que o Ryan era o homem da relação, e eu era a mulher”.

Divulgação
Ryan Gosling em cena do filme
A bem da verdade, Ryan Gosling deu a deixa, quando contou como foi o primeiro encontro com o diretor, que teve o privilégio de poder escolher. “Ele não me olhava, respondia como Batman, virando o corpo todo em minha direção. Estava sendo como um encontro dando bem errado”, disse. “Aí desconfiei que ele estava doente e tomando remédios. Dei uma carona para ele, liguei o rádio e estava tocando ‘I Can’t Fight This Feeling Anymore’. Não tive certeza, mas vi com o canto do olho que ele estava chorando. E então disse: ‘Entendi. Este é o filme, um cara que dirige por Los Angeles e ouve música pop’.”

Refn, que nem tem carteira de motorista, afirmou que, apesar da aparente relutância, tinha vontade de passar pela experiência de trabalhar em Hollywood. “Queria viver a mitologia de um europeu indo filmar em Hollywood. Estava pronto para ser atacado. Pensava: ‘Quando vão fazer algo para tirar minha visão, minha criatividade?. As coisas que você ouve dizer que eles fazem... E eles fazem! Fiquei com suspeita, afinal, são americanos. No fim, eu pude fazer o filme que queria. Então foi a melhor experiência em Hollywood possível.” O cineasta contou que sua forma de se rebelar contra seus pais foi assistir a filmes americanos. “A família era bem escandinava, aquela coisa de dividir com os pobres, os americanos são ruins. Hollywood era o anticristo para eles. Aí eu via ‘O Massacre da Serra Elétrica’ tomando café da manhã.”

Gosling afirmou que escolheu o cineasta porque ficou impressionado quando viu “O Guerreiro Silencioso” (2009). “Havia uma cena super violenta em que as pessoas caíam na gargalhada”, disse ele, descrevendo exatamente a reação do público na sessão de imprensa em Cannes. “Percebi que um filme poderia ser poesia e divertir ao mesmo tempo. Não precisava ser sério o tempo todo.” Ele contou que a inspiração foi Alain Delon em “O Samurai” (1967), de Jean-Pierre Melville. “Queríamos um filme durão, mas não macho.”

null

    Leia tudo sobre: cannesdriveryan goslingNicolas Winding Refn

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG