Um filme de época acadêmico

La Princesse de Montpensier, de Bertrand Tavernier, tem como pano de fundo a guerra entre católicos e protestantes na França

Mariane Morisawa, enviada especial a Cannes |

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A princesa do título, vivida por Mélanie Thierry
La Princesse de Montpensier , de Bertrand Tavernier, exibido em sessão de imprensa na manhã deste domingo (16), dentro da competição do 63º Festival de Cannes, é bonito de ver: atores que parecem modelos, belos figurinos, paisagens deslumbrantes. Tudo para contar a história de um pentágono amoroso em plena França do século 16, quando a guerra entre católicos e huguenotes chegou ao seu auge.

A tal princesa do título é Marie (Mélanie Thierry), prometida no início do filme a um dos filhos da família Guise, mas apaixonada pelo irmão do noivo, Henri (Gaspard Ulliel). O Duque de Montpensier, porém, faz uma proposta melhor ao pai da moça para que ela se case com seu filho, o Príncipe de Montpensier (Grégoir Leprince-Ringuet).

Marie, jogada de lá para cá, precisa aceitar – as garotas da época não podiam opinar nada sobre seu destino. Logo que chega a uma das propriedades da família do marido, porém, ele é convocado para mais uma batalha. A mulher é deixada aos cuidados de seu grande amigo e mentor, o Conde de Chabannes (Lambert Wilson), que também se apaixona por ela, porém mantém-se fiel ao amigo.

De volta da guerra, na qual combate ao lado de seu rival Henri de Guise e do irmão do rei, o Duque D’Anjou (Raphaël Personnaz), o Príncipe lida com seu ciúme doentio e entra na disputa pelo amor de Marie com Henri e o Duque D’Anjou.

Marie é apresentada como uma mulher de inspiração moderna, que queria estudar e podia voltar sozinha numa viagem a cavalo, mas ainda assim precisava se submeter aos costumes da época. Também é diferente da tradicional a visão do Duque D’Anjou, aqui inteligente e sedutor. Inspirado num conto de Madame de La Fayette, Tavernier (de A Isca ) fez um filme acadêmico, com uma cara de minissérie de televisão. Não é penoso de ver, mas trata-se de uma nulidade artística. Ao final da sessão, houve algum aplauso com uma vaia perdida no meio.

Na coletiva de imprensa que se seguiu à exibição, o diretor disse que o filme é feminista, sim. “Fui tocado pelo destino dessa mulher. Queria defendê-la, entendê-la. Quando escrevemos, ficamos horrorizados com o jeito como as mulheres eram tratadas”, disse o cineasta, que fez o roteiro com Jean Cosmos.

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O diretor Bertrand Tavernier nas filmagens
O roteirista contou que inicialmente eles tinham algumas ideias gerais sobre a guerra de religião e Henrique III (ou o Duque D’Anjou, que mais tarde virou o rei da França). “O que me impressionou foi a juventude das pessoas. O rei tinha 22 anos. O comandante da guerra tinha 18 anos. Não tinha lembrança do fato de que sua violência vinha da juventude dessas pessoas.”

O diretor admitiu que o filme tem tratamento contemporâneo, inclusive porque as coisas não mudaram tanto. “Há guerras religiosas agora. O jeito como as mulheres são tratadas em alguns lugares é o mesmo”, disse. “A emoção não é datada. Essa é minha obsessão. Para citar Faulkner, o passado não está morto, ele nem é passado. Não era história. É.”

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