“Trabalhamos de forma mais simples”, dizem irmãos Dardenne

Conto de fadas moderno, "Le Gamin au Vélo" mostra menino revoltado com o sumiço do pai

Mariane Morisawa, enviada especial a Cannes |

Um garoto de casaco vermelho, Cyril (Thomas Doret, 13 anos à época da filmagem), não quer aceitar que perdeu o pai para sempre. Revoltado, agressivo, o menino se agarra à cabeleireira Samantha (Cécile de France), que percebe seu desespero e procura dar a ele o amor de que necessita. Se ele vai aceitar, é a grande questão do longa-metragem “Le Gamin au Vélo”, dos irmãos Jean-Pierre e Luc Dardenne, que voltam ao tema da procura da conexão familiar e social.

Na coletiva de imprensa na manhã do domingo (15) no Festival de Cannes 2011 , os diretores disseram que os contos de fada foram uma referência. “Chegamos a chamar o filme de ‘Um conto de fadas moderno’, mas decidimos falar do personagem no título, ‘o menino com a bicicleta’. Tem a floresta, o lobo, a personagem da Cécile é a fada boa, Cyril é como Pinóquio, que perde as ilusões de que seu pai ainda quer vê-lo”, afirmou Jean-Pierre.

Luc contou que, desta vez, os dois trabalharam de forma mais simples. “Foi mais fácil de escrever, os personagens são mais simples, não tão complexos. Thomas contribuiu muito, por sua idade e porque ele sempre está de bom humor. Sempre dizia bom dia com um sorriso, quando ia embora também. Na rodagem, estávamos menos ansiosos do que o costume. Talvez isso passe no filme. É mais sereno.”

Quanto à competição - eles já venceram duas vezes a Palma de Ouro, com “Rosetta” (1999) e “A Criança” (2005) - , Jean-Pierre disse que Cannes nunca é relaxante. “Quando você vem com um filme a Cannes, sempre sente tensão. Se não sente, há algo errado. Isso que é incrível de Cannes, há a recepção da imprensa, do público. Esperamos que seja bem aceito. Sobre o resto, vamos ver.”

O filme

“Le Gamin au Vélo”, exibido em sessão de imprensa na noite de sábado (14), não parece ser um candidato forte à Palma de Ouro.

Revoltado com a falta de notícias do pai, Cyril se agarra à cabeleireira Samantha, que termina por hospedá-lo nos fins de semana e ajudá-lo a reencontrar o pai (Jéremie Renier) – um reencontro que não vai nada bem. Triste, Cyril não aceita o amor de Samantha e causa muitos problemas.

Em “Le Gamin au Vélo”, os Dardenne apostam mais uma vez na simplicidade, mas sempre cheia de vida e humanidade. As razões de Samantha, que não hesita em ajudar o garoto, mas sofre um bocado com a decisão de abrigá-lo, jamais são explicadas, e é bom que seja assim.

Mas a aparência aqui é a de um conto de fadas cujo final vai em direção um pouco diferente de trabalhos anteriores da dupla. Apesar de ser um bom filme, falta a “Le Gamin au Vélo” um pouco da força da obra dos Dardenne.

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