"Tournée é filme feminino", defende atriz

Para elenco do longa de Mathieu Amalric, na competição em Cannes, expressão sexual é "controlada pelos homens"

Mariane Morisawa, enviada especial a Cannes |

A mesa da entrevista coletiva de Tournée , de Mathieu Amalric, no início da tarde desta quinta-feira (12) em Cannes, foi tão colorida quanto o filme, apresentado para a imprensa na noite anterior, com recepção fria. Tudo graças à presença das atrizes e artistas do burlesco Julie Atlas Muz, Kitty on the Keys – usando orelhinhas de gato e tudo –, Dirty Martini, Mimi Le Meaux e Evie Lovelle. O diretor Mathieu Amalric e o ator e artista de burlesco Roky Roulette eram os únicos representantes masculinos.

© AP
O diretor Mathieu Amalric cercado pelas atrizes Dirty Martini, Julie Atlas Muz e Mimi Le Meaux
“É um filme feminino de muitas maneiras, acho importante ter tantas mulheres, é algo raro”, disse Julie Atlas Muz. Como no longa-metragem, elas defenderam que o novo burlesco – show que envolve dança e nudez parcial – é uma afirmação feminina. “Temos preocupação com a maneira como as mulheres são tratadas e como se veem”, afirmou Dirty Martini, a mais engajada e defensora de que as mulheres devem estar confortáveis com seus corpos, não importa como sejam. Em sua opinião, o burlesco é um instrumento para as mulheres terem controle de sua expressão sexual.

“Achamos que a expressão sexual é controlada pelos homens”, afirmou. E elogiou o fato de o filme não ficar dando aula sobre o burlesco, mas mostrar que é algo totalmente diferente da dança do poste, por exemplo. As influências de cada uma são as mais diversas. Kitty, por exemplo, disse que se inspira em Shirley Temple, no punk rock e em Freddie Mercury.

Amalric, que também interpreta o produtor da trupe, Joachim, explicou que não queria que o filme fosse um documentário, apesar de todos interpretarem a si mesmos. Ele criou alguns momentos na hora da filmagem, como um telefonema no trem que tira do sério seu personagem para movimentar a cena e criar reações. “Só há 17 minutos de shows no filme. Eles são atores de verdade. Exibi para o pessoal da Comédie Française para mostrar o que é atuação de verdade”, contou.

O diretor disse ainda que usou muitas referências, como All That Jazz , mas que ao longo do processo várias coisas foram se unindo, começando por seu encanto com o livro de Colette sobre sua turnê como atriz de um show meio escandaloso na época. “Houve esse artigo do jornal Libération sobre o novo burlesco. Minha fascinação pelos produtores, por sua coragem. E também com gente de uniforme”, disse Amalric – no filme, recepcionistas de hotel sempre se recusam a desligar o som ou a televisão, porque receberam ordens de deixar ligado. “Juntou tudo e achei que poderia sair um filme. Não acho que deveria haver uma mensagem”, completou.

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