“Tenho dificuldade com o conceito de mal”, diz Tilda Swinton

Atriz fala ao iG sobre seu papel no filme "We Need to Talk About Kevin", exibido em Cannes

Mariane Morisawa, enviada especial a Cannes |

Com aquele rosto de rainha gélida, Tilda Swinton pode intimidar. Mas, ao vivo, a atriz é simpática e responde com aparente sinceridade a todas as perguntas. Protagonista de “We Need to Talk About Kevin”, de Lynne Ramsay, um dos concorrentes à Palma de Ouro, ela interpreta Eva, uma mãe que relembra sua complicada relação com o filho depois de ele cometer um massacre numa escola. Tilda, mãe de gêmeos, falou ao iG :

iG: Tudo é culpa da mãe?
Tilda Swinton:
Claro! Tudo é sempre culpa da mãe! (risos) Eu me lembro que, quando li o livro, eu me recordei do sentimento que tive logo na primeira vez que segurei meus filhos nos braços. Tinha me engajado no todo da experiência, mas, quando os peguei, pensei: “Nossa! Eu realmente estou amando isso!”. Percebi na hora que não necessariamente teria de ser assim e como seria se eu não tivesse amado a experiência e meus filhos instantaneamente. Há muitas mulheres que não conseguem ligar essa chave e passam a sentir culpa e vergonha. É um tabu. Ao mesmo tempo, acho que amar é algo que você aprende.

iG: Vocês tornaram o Kevin mais simpático do que ele é no livro.
Tilda Swinton:
Sim, foi uma das negociações que tivemos de fazer. No livro, ele é muito sem características marcantes. Mas no cinema não tem como você não dar uma cara ao personagem. Decidimos procurar alguém com carisma, até porque você precisa querer assistir a esse personagem.

iG: Acredita que algumas pessoas nascem más?
Tilda Swinton:
Eu tenho muita dificuldade com todo o conceito do mal. Eu luto com isso. Mas no negócio prático de criar um filho, você sempre tem a fantasia de que ele pode ser um demônio. É uma coisa o bebê de Rosemary.

iG: Como foi rodar nos Estados Unidos?
Tilda Swinton:
Muito diferente, de maneiras tão diferentes! A Lynne costuma rodar na Escócia, onde ela pode ligar para seu tio para chamar um bando de pessoas para serem figurantes. Nos Estados Unidos, há várias regras para contratar figurantes. É bem maluco. Ao mesmo tempo, éramos um grupo de pessoas que se conhecem há tempos. Foi como uma excursão de escola.

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