Seis filmes têm a missão de tirar Palma de Ouro da Europa

Continente é maioria na disputa, marcada pela presença inédita de quatro cineastas mulheres; forte programação é farta em astros

Mariane Morisawa, enviada especial a Cannes |

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Sean Penn encarna roqueiro excêntrico em "This Must Be The Place", de Paolo Sorrentino
A Europa tem 70% de chances de levar a Palma de Ouro neste Festival de Cannes 2011 , que traz uma programação forte em sua 64ª edição, que se estende desta quarta-feira (11) a 22 de maio. Se no ano passado uma esquadra asiática tomou conta da competição – e levou o prêmio máximo, com “Tio Boonmee, que Pode Recordar suas Vidas Passadas”, de Apichatpong Weerasethakul –, em 2011 o Oriente comparece apenas na figura dos japoneses “Hanezu no Tsuki”, de Naomi Kawase, e “Ichimei”, de Takashi Miike, e do israelense “Hearat Shulayim”, de Joseph Cedar.

Já a Oceania concorre com o australiano “Sleeping Beauty” , de Julia Leigh, e a América, com os norte-americanos “A Árvore da Vida” , de Terrence Malick, e “Drive” , de Nicolas Winding Refn. São esses seis filmes que tentam a difícil missão de tirar a Palma de Ouro dos europeus, que competem com nada menos que 14 filmes – quatro franceses, sem contar as coproduções, mais representantes de Turquia, Itália, Espanha, Bélgica, Finlândia, Dinamarca, Áustria e Reino Unido.

Depois de uma ausência total de diretoras na competição do ano passado, em 2011 há a presença de quatro cineastas mulheres, um recorde: a japonesa Naomi Kawase (com “Hanezu No Tsuki”), a francesa Maïwenn (“Polisse”), a australiana Julia Leigh e a britânica Lynne Ramsay (“We Need to Talk About Kevin”).

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Antonio Banderas no suspense "La Piel que Habito", novo filme de Pedro Almodóvar
Dois estreantes disputam a Palma de Ouro e a Caméra D’Or, prêmio dado a cineastas em primeiro filme eleito entre todas as seções oficiais e paralelas: a já citada Julia Leigh e o austríaco Markus Schleinzer, que foi diretor de elenco de filmes de Michael Haneke e agora debuta na direção com “Michael”. Eles tentam roubar a Palma de Ouro de veteranos como Lars Von Trier, vencedor por “Dançando no Escuro”, que volta com “Melancolia” ; Nanni Moretti, ganhador por “O Quarto do Filho”, que concorre por “Habemus Papam”; e Jean-Pierre e Luc Dardenne, premiados por “Rosetta” e “ A Criança”, que tentam a façanha do terceiro troféu com “Le Gamin au Vélo”. Outro veterano do festival é o espanhol Pedro Almodóvar, que retoma sua parceria com Antonio Banderas no suspense "La Piel que Habito" .

O júri que escolherá o vencedor da Palma de Ouro e dos demais prêmios da competição oficial é presidido pelo ator Robert De Niro e composto pelo cineasta francês Olivier Assayas, pela atriz argentina Martina Gusman, pelo diretor do Chade Mahamat-Saleh Haroun, pelo ator inglês Jude Law, pela produtora de Hong Kong Nansui Shi, pela atriz americana Uma Thurman, pelo diretor de Hong Kong Johnnie To e pela roteirista norueguesa Linn Ullmann.

Astros no tapete vermelho

A maior vitrine do cinema mundial tem sofrido nos últimos anos com os cortes de verbas nos estúdios e com programações sem brilho. Desta vez, só a notícia de que "A Árvore da Vida", dirigido por Terrence Malick e com Sean Penn e Brad Pitt no elenco, estava na competição já deixou os cinéfilos ansiosos.

Pitt, Angelina Jolie, Penn, Johnny Depp, Penélope Cruz, Mel Gibson, Antonio Banderas, Tilda Swinton, a primeira-dama francesa Carla Bruni e o próprio De Niro, presidente do júri, estão entre os grandes nomes esperados para passar pelo tapete vermelho e circular nas festas da riviera francesa.

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Brad Pitt em "A Árvore da Vida", de Terrence Malick
Sean Penn também aparece em outro filme da competição oficial, "This Must Be The Place", do italiano Paolo Sorrentino ("Il Divo"), em que interpreta um ex-astro do rock que sai em busca do assassino do pai, um criminoso de guerra nazista radicado nos Estados Unidos.

A comédia "Meia-Noite em Paris" , de Woody Allen, estrelada por Owen Wilson, Rachel McAdams e Marion Cotillard, será exibida na abertura, mas os holofotes deverão estar voltados para uma mera coadjuvante, Carla Bruni, alvo de intensas especulações sobre uma gravidez. Coincidentemente, a programação de Cannes inclui também a cinebiografia "La Conquête" (a conquista), que retrata o presidente francês, Nicolas Sarkozy, durante as eleições de 2007, e o colapso do seu casamento anterior com Cecilia.

Em paralelo aos grandes autores do cinema mundial, desembarcam no litoral francês blockbusters hollywoodianos – é o caso de "Kung Fu Panda 2", estrelado por Jolie e Jack Black, e a nova sequência de "Piratas do Caribe" , com Johnny Depp e Penélope Cruz. E a recuperação econômica após a crise financeira global também pode dar alento ao gigantesco "feirão" de filmes em Cannes, onde são feitas grandes transações envolvendo os direitos de exibição dos filmes, o que serve para impulsionar o famoso festival para além da mera badalação da Croisette.

Competição oficial
"La Piel que Habito", de Pedro Almodovar (Espanha)
"L'Apollonide - Souvenirs de la Maison close", de Bertrand Bonello (França)
"Pater", de Alain Cavalier (França)
"Footnote", de Joseph Cedar (Israel)
"Once Upon a Time in Anatolia", de Nuri Bilge Ceylan (Turquia)
"Le gamin au vélo", de Jean-Pierre e Luc Dardenne (Bélgica)
"Le Havre", de Aki Kaurismäki (Finlândia)
"Hanezu No Tsuki", de Naomi Kawase (Japão)
"Sleeping Beauty", de Julia Leigh (Austrália)
"Polisse", Maïwenn (França)
"A Árvore da Vida", de Terrence Malick (EUA)
"La Source des Femmes", de Radu Mihaileanu (Romênia)
"Hara-kiri: Death of a Samurai", de Takashi Miike (Japão, 3D)
"Habemus Papam", de Nanni Moretti (Itália)
"Precisamos Falar sobre o Kevin", de Lynne Ramsay (Grã-Bretanha)
"Michael", de Markus Schleinzer (Áustria). Primeiro filme
"This Must Be the Place", de Paolo Sorrentino (Itália)
"Melancolia", de Lars Von Trier (Dinamarca)
"Drive", de Nicolas Winding Refn (cineasta dinamarquês, produção dos EUA)
"The Artist", de Michel Hazanavicius (França)

Fora de competição
"Meia-Noite em Paris", de Woody Allen (EUA), filme de abertura
"La Conquête", de Xavier Durringer (França)
"Um Novo Despertar", de Jodie Foster (EUA)
"Piratas do Caribe - Navegando em Águas Misteriosas", de Rob Marshall (EUA, 3D)
"Les Bien-Aimes", de Christophe Honoré (França), filme de encerramento

Mostra Um Certo Olhar
"Restless", de Gus Van Sant (EUA)
"The Hunter", de Bakur Bakuradze (Rússia)
"Halt auf Freier strecke", d'Andreas Dresen (Alemanha)
"Hors Satan", de Bruno Dumont (França)
"Martha Marcy May Marlene", de Sean Durkin (EUA)
"Les neiges du Kilimandjaro", de Robert Guédiguian (França)
"Skoonheid", d'Oliver Hermanus (África do Sul)
"The Day He Arrives", de Hong Sangsoo (Coreia do Sul)
"Bonsaï", de Cristian Jimenez (Chile)
"Tatsumi", de Eric Khoo (Cingapura, animação)
"Arirang", de Kim Ki-duk (Coreia do Sul)
"Et maintenant on va où?", de Nadine Labaki (Líbano)
"Loverboy", de Catalin Mitulescu (Romênia)
"Yellow Sea", de Na Hong-jin (Coreia do Sul)
"Miss Bala", de Gerardo Naranjo (México)
"Trabalhar Cansa", de Juliana Rojas e Marco Dutra (Brasil)
"L'Exercice de l'Etat", de Pierre Schoeller (França)
"Toomelah", de Ivan Sen (Austrália)
"Oslo, 31 août", de Joachim Trier (Noruega)
"Elena", de Andrey Zuyagintsev (Rússia)

* com Reuters

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