Robin Hood maduro abre Cannes

Nova versão do personagem é mais complexa e bem acabada do que produções anteriores. Filme estreia este fim de semana no Brasil

Mariane Morisawa, enviada especial a Cannes |

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Russel Crowe e Cate Blanchett posam para a imprensa em Cannes, onde Robin Hood é o filme de abertura
Os franceses ficaram mal na fita – pelo menos, na abertura deste 63º Festival de Cannes. Em Robin Hood , de Ridley Scott, eles são sujeitos traiçoeiros que tentam invadir uma Inglaterra de gente honrada e heróica, à exceção do rei John, igualmente pouco confiável.

O cineasta vai às origens de Robin Hood. Russell Crowe – com um cabelo assumidamente inspirado no seu próprio Maximus, de Gladiador – interpreta Robin Longstride, um arqueiro no exército do rei Ricardo Coração de Leão, que há dez anos luta nas Cruzadas. Quando o rei é morto por um cozinheiro ao tentar invadir um castelo francês, e o cavaleiro Robert Loxley, encarregado de levar a notícia e a coroa de volta à Inglaterra, é assassinado numa emboscada, sobra para Robin esta missão e mais outra, a de ir a Nottingham entregar a espada do Lorde Loxley. Lá ele encontra seu passado, um pai e uma mulher, Lady Marian (Cate Blanchett).

A parceria de Ridley Scott e Russell Crowe, iniciada há dez anos com Gladiador , ganha aqui seu quinto capítulo. Nunca eles tinham voltado a território tão próximo daquele primeiro filme. Robin Hood também é um épico que brinca com a história, criando uma ficção com bases factuais, cheia de drama, ação e algum humor, além de romance. Se a princípio Crowe parece um tanto passado para o papel, durante o curso do filme – que começa meio morno, é verdade – ele supera qualquer dúvida com a competência e o carisma habituais. Mas a grande aquisição do elenco é Cate Blanchett, que entrou de última hora, no lugar de Sienna Miller. Ela faz uma Lady Marian forte, que não precisa de ninguém para salvá-la, à altura do Robin Hood de Crowe. A nova versão de Robin Hood termina sendo eficiente na sua ambição de ser mais complexa e bem acabada do que as produções anteriores.

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A dupla em cena: "Não havia nenhum Robin Hood que mostrasse motivação do personagem", diz Russel Crowe
Na coletiva de imprensa, foi lido um comunicado do diretor, que não pôde vir a Cannes. “Lamento não comparecer, mas sofri uma cirurgia de joelho da qual estou demorando mais que o esperado para me recuperar. As ordens do médico são a única razão para eu não estar aí”, escreveu Scott. Russell Crowe, de bom humor, disse que o diretor estava desafiando o tenista Roger Federer para um jogo. Além do ator, estavam na mesa a atriz Cate Blanchett e os produtores Brian Grazer e Charles Schissl.

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"Ridley Scott não queria a dama em perigo", afirma Cate Blanchett, a nova Lady Marian
O ator contou que foi imediata sua reação à proposta do produtor Grazer de fazer um remake de Robin Hood . “Eu e Ridley fizemos cada um sua pesquisa, nos reunimos e tínhamos tantas ideias que daria um filme de sete horas e meia”, afirmou. Assim, resolveram começar do início. “Para mim, não havia nenhum Robin Hood que mostrasse a motivação do personagem.” A atriz Cate Blanchett destacou que não se inspirou em nenhuma Lady Marian anterior. “Até porque Ridley não queria a dama em perigo.” Ela contou que o principal elemento de sua atuação no filme foi a lama. “Eu chegava ao set relativamente limpa, e Ridley pegava algo do chão e sujava meu rosto”, disse. Trabalhar com o diretor, Crowe e Max Von Sydow (que faz o Lorde Loxley) foi a razão de ter aceito o papel. “E ainda pude beijar o Russell”, brincou, depois de lembrada pelo próprio ator.

O produtor Brian Grazer tentou amenizar o impacto de abrir o Festival de Cannes com um filme que coloca os franceses como os vilões: “Acho que tanto franceses quanto ingleses têm qualidades de natureza pouco confortável”. Russell destacou o uso da língua francesa e de personagens franceses diversos, coisa que não aconteceria anos atrás em Hollywood. E fez piada: “Nós contamos que o rei Ricardo Coração de Leão não voltou à Inglaterra, como aparece nos outros filmes. Na verdade, ele morreu com uma flechada disparada por um cozinheiro francês. Esta é uma parte importante da história mundial e acho que provavelmente é a razão pela qual estamos abrindo o Festival de Cannes”.

Ele garantiu que não há roteiros prontos para novas produções, apesar de o final deixar bem aberta a possibilidade de uma sequência. “Mas adoraria fazer, até porque Robin e Lady Marian ainda não tiveram sua grande cena romântica”, disse. O ator ainda aproveitou para dar palpites para a Copa do Mundo: “Talvez a Espanha, talvez o Brasil. Portugal, se Cristiano Ronaldo jogar bem. E Inglaterra, claro, se tudo sair muito certo. Mas eles não têm chance contra a seleção australiana”.

Robin Hood estreia estreia nesta sexta-feira no Brasil. Conheça as demais estreias da semana .

Assista ao trailer de Robin Hood :

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