"Quero mostrar o que os olhos não captam", explica Naomi Kawase

Na competição do festival com "Hanezu", diretora japonesa é tema de retrospectiva no Brasil e viaja na sequência para o país

Mariane Morisawa, enviada especial a Cannes |

AFP
Naomi Kawase: "homens podem ser quebrados pelas menores coisas; as mulheres nunca se despedaçam"
Prestes a desembarcar no Rio de Janeiro, onde será tema de retrospectiva no Centro Cultural Banco do Brasil, a cineasta Naomi Kawase, que participa da competição do Festival de Cannes 2011 com “Hanezu” , disse que está cheia de expectativa.

“Quero encontrar brasileiros de todos os tipos, não só os descendentes de japoneses. De um tempo para cá, meus filmes têm tido uma recepção boa naquela parte do mundo e estou curiosa em saber por quê. Talvez seja pela relação com a natureza”, afirmou em entrevista de que o iG participou.

iG: O que acha de estar sendo comemorado o recorde de quatro filmes de diretoras entre os 20 da competição?
Naomi Kawase: Sempre quem me pergunta isso é uma mulher. Suponho que, como mulher, a jornalista tenha enfrentado suas dificuldades e tenha curiosidade de saber como é em outros campos. Para mim, homens e mulheres funcionam diferente. As mulheres não são contra os homens, são apenas diferentes. As mulheres têm mais atenção aos detalhes e são mais fortes espiritualmente, enquanto os homens decidem, mas não vêm os detalhes, e são frágeis espiritualmente. Os homens podem ser quebrados pelas menores coisas. As mulheres nunca se despedaçam. Há uma diferença, não uma oposição.

iG: Acha que foram as mulheres japonesas que ajudaram a tornar mais calma a reação à tragédia tripla que o Japão viveu recentemente?
Naomi Kawase: Não dá para generalizar. As mulheres têm instinto maternal, tentam proteger e têm corpos mais macios do que os homens. Talvez por isso abracem mais. Mas é diferente.

iG: A tragédia deve impactar seus próximos trabalhos?
Naomi Kawase: Eu não sei se vai influenciar. “Hanezu” foi feito antes e já é uma resposta a esse tipo de coisa, fala desse assunto.

iG: Por que a arte japonesa sempre prevê a destruição por fenômenos da natureza?
Naomi Kawase: Temos vulcões, terremotos, tsunamis. Isso faz parte da nossa vida.

iG: Em seus filmes, os espíritos sempre estão presentes, mas neste a presença é mais real.
Naomi Kawase: Eu tenho interesse em mostrar nos meus filmes aquilo que os olhos não conseguem captar. Quis me colocar um novo desafio desta vez.

iG: Quais são suas influências cinematográficas?
Naomi Kawase: Nenhuma. As minhas maiores influências são meu avô e minha avó, que me criaram. Eles eram bem únicos. Agradeciam todos os dias ao sol por dar a luz e o calor. Se quebravam uma caneca, antes de jogar os cacos fora agradeciam pelos serviços prestados. Eles eram muito gratos a tudo.

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