Oliver Stone retorna com Wall Street 2

Em Cannes, diretor mostra que recuperou sua fluência e faz seu melhor trabalho em anos

Mariane Morisawa, enviada especial a Cannes |

Getty Images
O diretor Oliver Stone, Carey Mulligan, Michael Douglas e Shia Labeouf juntos em Cannes
Faltava meia hora para a sessão de imprensa de Wall Street: O Dinheiro Nunca Dorme , e o Grand Théâtre Lumière, a maior sala do 63o Festival de Cannes, estava quase completamente cheio. O longa-metragem de Oliver Stone, apresentado fora de competição na manhã desta sexta-feira (14), teve algumas palmas esparsas durante a exibição – como numa cena em que a câmera passa de brinco a brinco nas orelhas das mulheres num baile de gala –, mas não no final. Todo mundo saiu correndo para tentar entrar na sala de coletiva.

A produção retoma o personagem Gordon Gekko (Michael Douglas), do Wall Street original, de 1987. Ele acaba de sair da prisão, depois de oito anos cumpridos por crimes do colarinho branco. Ninguém o espera no portão. Enquanto isso, conhecemos Jacob (Shia LaBeouf), um jovem operador do mercado financeiro, por acaso, namorado da filha de Gekko (Carey Mulligan), que não quer saber do pai. O rapaz trabalha na empresa de Lou (Frank Langella), que vê seu negócio ruir graças a boatos espalhados por Bretton James (Josh Brolin), um sujeito bem ambicioso. Por conta disso, Jacob vai querer se vingar do mal feito a sua figura paterna, ao mesmo tempo em que tenta reunir pai e filha.

Em Wall Street: O Dinheiro Nunca Dorme , Oliver Stone recupera a fluência perdida em alguns de seus últimos longas-metragens, sem carregar demais na pieguice que é quase sua marca. Como sempre, ele está de olho no que acontece no mundo, e o filme está sendo lançado quando se discute a liberdade desfrutada pelos operadores do mercado financeiro. Mas a produção foca no drama familiar, na escolha entre o amor e o dinheiro. Com personagens bem construídos, sem abrir mão da esperança, e um elenco talentoso, o diretor faz seu melhor trabalho em um bom tempo.

AFP
Michael Douglas e Oliver Stone: parceria retomada mais de 20 anos depois
Na disputada coletiva de imprensa que se seguiu à sessão, à qual compareceram Oliver Stone e os atores Michael Douglas, Shia LaBeouf, Carey Mulligan, Josh Brolin e Frank Langella, o diretor e Douglas explicaram por que voltaram ao personagem. “Michael e Ed (Pressman, produtor) vieram com a ideia em 2006, mas eu não queria celebrar aquela cultura da riqueza. Depois do crash, foi como um grande ataque cardíaco. Era hora de voltar ao assunto”, disse o cineasta.

Douglas disse que sempre ficou chocado de como Gekko tinha virado ícone para os operadores do mercado financeiro. “Ele era um vilão muito bem escrito, ficamos atordoados de saber quantos estudantes de MBAs e jovens operadores queriam ser como ele”, afirmou o ator. “Ficamos pensando: aqueles estudantes hoje devem estar dirigindo esses bancos de investimento. A ganância virou legal. Era uma oportunidade de ir ao fundo das coisas. Gekko mudou? Você não sabe, até o final do filme.”

Shia LaBeouf disse que chegou a estagiar em bancos de investimento para aprender sobre o negócio. “Fui até onde me deixaram, mas eles deixaram muito porque eram fãs do primeiro Wall Street ”, contou o ator. Já Josh Brolin teve na vida real uma empresa que lidava com o mercado financeiro. “Nunca trabalhei em altas finanças, eles falam de bilhões de dólares, eu lidava com centenas ou milhares. Minha carreira andava lenta, eu vendi uma propriedade e comecei um negócio. Mas foi por necessidade, não por diversão.”

Oliver Stone negou que vá fazer a origem de Gordon Gekko. “Não, porque Michael Douglas teria de ficar mais jovem para isso”, disse, brincando. Ele também desistiu do documentário sobre o presidente do Irã, Mahmoud Amahdinejah. Mas acabou de rodar uma nova entrevista com Fidel Castro e lança em breve South of the Border , sobre Hugo Chávez, além de estar preparando Secret History of America , com dez horas de duração, que considera seu trabalho mais ambicioso.

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