Com “Habemus Papam”, cineasta italiano segue papa com colapso nervoso

Papa eleito faz consulta com psicanalista em cena de
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Papa eleito faz consulta com psicanalista em cena de "Habemus Papam", exibido na competição
O argumento de “Habemus Papam”, que marca a volta de Nanni Moretti à competição do Festival de Cannes – ele levou a Palma de Ouro por “O Quarto do Filho” –, é genial. Depois de certa demora (e uma eleição papal bastante engraçada), um novo papa (Michel Piccoli) é escolhido. Mas, segundos antes de ser anunciado ao povo, tem um colapso nervoso, que adia o pronunciamento.

Um psicanalista (Nanni Moretti) é chamado para ajudar – e a cena da primeira sessão, na sala tomada por todos os cardeais do conclave, é hilária – e fica preso dentro do Vaticano, pois sabe quem é o papa, e isso não pode ser revelado sob nenhuma hipótese. Enquanto isso, o papa eleito vai procurar outra analista em Roma (Margherita Buy), escapa das garras da Igreja Católica e dá uma volta pela cidade em busca de si mesmo.

Como sempre, humor inteligente e drama sutil misturam-se no longa-metragem de Moretti, que especula o que se passa por trás das portas cerradas do Vaticano. Seu analista organiza até um campeonato de vôlei entre os cardeais, dividido por regiões do mundo – a Oceania, com poucos representantes, tem apenas três jogadores.

Michel Piccoli, o
AFP
Michel Piccoli, o "papa", e o diretor Nanni Moretti: "Gostariam um filme de denúncia sobre pedofilia, mas não fui guiado pela atualidade"
O tom farsesco é equilibrado pelo drama real dos fiéis, que esperam a solução; dos cardeais, que não sabem o que fazer; e principalmente do papa, interpretado cheio de quieta ansiedade por um excelente Piccoli. O filme, exibido para jornalistas na manhã desta sexta-feira (13), foi bem aplaudido ao final.

Na entrevista coletiva que se seguiu ao filme, o francês Michel Piccoli disse que foi fácil interpretar um papa. “Você acha que é muito complicado fazer o papa, mas é um papa cheio de ansiedade. Na filmagem, eu ouvi Moretti e foi tudo muito calmo e intenso. Para mim foi muito fácil.” Moretti disse que não teve problemas com o Vaticano. “Não houve obstáculo”, afirmou.

O Vaticano foi construído em estúdio. O diretor, que foi criado católico e é ateu desde a juventude, disse que procurou dar sua visão. “Quis contar meu Vaticano, com meu papa, com meus cardeais. Tantas pessoas foram ver o filme esperando saber o que já sabiam. E esse seria um bom motivo para não fazer um filme. Gostariam um filme de denúncia sobre a pedofilia, mas eu não queria ser guiado pela atualidade.”

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