My Joy provoca impacto em Cannes

Filme de estreia do documentarista bielo-russo Sergei Loznitsa apresenta visão pessimista da Rússia

Mariane Morisawa, enviada especial a Cannes |

Divulgação
Título de My Joy (minha alegria) é uma ironia com a trama trágica do longa-metragem
My Joy (minha alegria), co-produção Alemanha-Ucrânia, não parece um título adequado para o filme de estreia na ficção do documentarista bielo-russo Sergei Loznitsa, exibido na noite desta terça-feira (18) em sessão de imprensa dentro da competição do 63º Festival de Cannes. O que o longa-metragem menos tem é alegria – mas, obviamente, trata-se mesmo de uma ironia.

A produção começa com a viagem do caminhoneiro Georgy (Viktor Nemets), que vai fazer mais uma de suas entregas. No meio do caminho, uma batida policial abusiva oferece uma dica daquilo que está por vir. Depois, ele dá carona a um velho e a uma prostituta e termina num beco sem saída. My Joy toma então rumos inesperados, com uma estrutura engenhosa conectando as várias histórias, algumas delas no passado.

Loznitsa consegue deixar o público intrigado e surpreso o tempo todo com uma trama pessimista que reproduz a brutalidade, a violência e a crueldade tanto da trajetória da própria Rússia quanto do país na atualidade. Os gestos de compaixão e amor são reduzidos a pó um a um. Tanta opressão sufoca no filme como na vida e afirma que não existe luz no final do túnel.

Vai ser difícil outra obra provocar uma reação tão visceral nos espectadores de Cannes. E isso sem abdicar das sequências visualmente impactantes – a cena de abertura, de um corpo sendo arrastado, é impressionante. O júri presidido por Tim Burton seria louco de não considerar My Joy para os principais prêmios do festival deste ano.

    Leia tudo sobre: Festival de Cannes

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG