Chongqing Blues abriu segundo dia do Festival de Cannes; diretor retrata" perda de valores" na China" / Chongqing Blues abriu segundo dia do Festival de Cannes; diretor retrata" perda de valores" na China" /

Longa chinês foca relação de pai e filho

Com sensibilidade, Chongqing Blues abriu segundo dia do Festival de Cannes; diretor retrata" perda de valores" na China

Mariane Morisawa, enviada especial a Cannes |

Divulgação
Em Chongqing Blues, pai distante tenta recuperar a história do filho, morto de forma trágica
O segundo dia da competição do 63º Festival de Cannes começou com um belo drama familiar, aplaudido na sessão de imprensa na manhã desta quinta-feira (13). O chinês Chongqing Blues , de Wang Xiaoshuai, trata do relacionamento de pai e filho.

O Sr. Lin (Wang Xueqi) volta à cidade de Chongqing para entender o que aconteceu com o filho, Lin Bo (Zi Yi). Ele descobre que o rapaz morreu depois de atacar duas pessoas com uma faca e fazer uma refém numa loja. Capitão de navio, ele tinha abandonado o garoto e sua mãe havia mais de 15 anos. Não consegue nem se lembrar do rosto do filho. Aborda as pessoas envolvidas no caso, como a médica tomada como refém (Fan Bingbing), o melhor amigo (Qin Hao, que competiu em Cannes no ano passado com Spring Fever , prêmio de melhor roteiro) e a namorada (Li Feier). Aos poucos, vai formando um retrato ainda assim incompleto do filho, ao mesmo tempo em que retoma seu próprio passado. Os pedacinhos que junta somam-se com sensibilidade, resultando num drama envolvente e equilibrado, sem apelos ao maniqueísmo.

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Para o diretor Wang Xiaoshuai, desenvolvimento econômico prova perda de valores
Na entrevista coletiva que se seguiu à exibição, o diretor Wang Xiaoshuai disse que escolheu a cidade de Chongqing porque ela foi diretamente administrada pelo governo central. “Desde as reformas, a cidade se desenvolveu mais. Mas ainda conta com lugares de raízes profundas, onde as pessoas comem e jogam mah jong”, disse. O nome foi escolhido só depois, porque Chongqing quer dizer raio de sol em chinês. “É o que você vê ao final do filme”, afirmou.

O cineasta, ao lado dos atores Zi Yi, Qin Hao, Fan Bingbing e Li Feier, comentou o fato de Bo Lin não ter nenhuma foto, quando hoje em dia os jovens tiram fotos de tudo e em todas as situações com seus celulares e câmeras digitais. “É um pouco artificial, sim. Esse filho não gostava de tirar fotos porque virou as costas para a vida, assim como seu pai. Ele é um rebelde”, afirmou Xiaoshuai. “Queria acrescentar que não gosto de tirar fotos também.”

A rebeldia do personagem, explica, é algo natural, pela qual todas as pessoas passam. “Não é específico da sociedade chinesa. Eu espero que meu filho passe por isso, assim como eu passei”, contou. Mas ele acredita que o desenvolvimento econômico acelerado na China está fazendo com que se percam valores. “Quem matou o filho? Foi quando o pai o abandonou, foi quando o policial atirou, foi quando o próprio garoto virou as costas para a sociedade? Queria descobrir isso.”

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