Lars Von Trier é banido de Cannes

Organizadores do festival condenaram comentários do diretor dinamarquês, que disse na quarta-feira ser nazista e entender Hitler

iG São Paulo com agências |

As desculpas não adiantaram. Depois de falar durante entrevista coletiva ontem que entendia Hitler, o diretor dinamarquês Lars Von Trier foi banido do Festival de Cannes . De acordo com um comunicado divulgado hoje pelos organizadores do evento, desde já o cineasta é "persona non grata" no festival. Através de uma de suas produtoras, Von Trier disse que "aceita" o banimento.

O Conselho de Diretores de Cannes realizou uma reunião extraordinária nesta quinta-feira para debater os comentários de Von Trier. Ao falar com jornalistas na quarta-feira sobre seu filme na competição oficial, "Melancolia" , o cineasta se complicou ao falar da influência germânica em sua vida. “Eu achava que era judeu, era muito feliz por isso. Mas aí descobri que era nazista, quer dizer, minha família era alemã”, disse. “Eu entendo Hitler. Claro que ele fez algumas coisas erradas. Mas eu o compreendo. Claro que não sou a favor da Segunda Guerra, não sou contra judeus, nem Susanne Bier [a diretora de “Em Um Mundo Melhor” , que lança filmes pela produtora de Von Trier], Israel é complicado. Mas e agora, como termino essa frase?”

Segundo o comunicado, Cannes lamenta que o festival tenha sido usado para "expressar comentários que são inaceitáveis, intoleráveis e contrários aos ideiais de humanidade e generosidade" que guiam a existência do evento. "O Festival de Cannes oferece a artistas de todo o mundo um fórum excepcional para apresentar seus trabalhos e defender liberdade de expressão e criação", diz o texto, que condena as falas de Von Trier.

A Argentina reagiu rápido ao incidente. A Distribution Company (DC), distribuidora responsável por exibir "Melancolia" no Conesul, afirmou que desfez o contrato com a produtora de Von Trier e não vai mais promover o filme no país. No Brasil, "Melancolia" tem estreia marcada para 05 de agosto.

Depois de perceber a má impressão que deixou na entrevista, Von Trier veio a público ontem desculpar-se. "Se eu ofendi alguém esta manhã com as palavras que disse na coletiva de imprensa, peço desculpas sinceras", afirmou o diretor em um email enviado à agência de notícias AFP. "Não sou antissemita ou racista de qualquer maneira, e muito menos nazista", disse.

Figura frequente em Cannes

O diretor dinamarquês ganhou a Palma de Ouro em 2000 com "Dançando no Escuro" e já havia concorrido outras oito vezes ao prêmio – tradicionalmente, Cannes servia como plataforma de lançamento de seus filmes. Polêmico, Von Trier foi um dos fundadores do Movimento Dogma, que impunha diversas regras para a produção de longas-metragens. Entre seus trabalhos estão "Europa" (91), "Os Idiotas" (98), "Dogville" (2003) e "Anticristo" (2009).

O presidente do festival, Gilles Jacob, afirmou à imprensa que aceitou as desculpas de Von Trier, embora o incidente fosse "suficientemente grave". "Nunca aconteceu em 64 anos. Thierry [Frémaux, diretor de Cannes] e eu mantemos uma posição, que é legítima. O conselho deu sua opinião e isso me parece que é o normal", comentou Jacob sobre a decisão do órgão de banir Von Trier.

Por outro lado, "Melancolia" permanece na disputa pela Palma de Ouro. Os organizadores, no entanto, pediram discrição a Von Trier e solicitaram que, no caso de seu filme ser premiado, não compareça para receber o prêmio.

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