Copie Conforme, história de amor e representação" / Copie Conforme, história de amor e representação" /

Kiarostami prova estar entre os grandes

Diretor iraniano intriga e surpreende com o complexo Copie Conforme, história de amor e representação

Mariane Morisawa, enviada especial a Cannes |

Divulgação
William Shimell e Juliette Binoche, os protagonistas do filme de Abbas Kiarostami
O nível da competição do 63º Festival de Cannes elevou-se consideravelmente nesta segunda-feira (17). Pela manhã, foi Alejandro González Iñárritu a exibir um dos seus melhores filmes e candidato, pelo menos, ao prêmio de melhor ator. À noite, foi a vez do iraniano Abbas Kiarostami entregar um longa-metragem complexo e intrigante. É sempre difícil prever como uma obra vai ser recebida pelo júri, mas ele deveria prestar atenção com cuidado à Copie Conforme , que pede atenção máxima, tamanho o número de detalhes.

A primeira cena do filme já encerra seus enigmas. O escritor James Miller (o barítono William Shimell, em seu primeiro papel como ator) está sendo aguardado para uma palestra em Arezzo, na Toscana, sobre seu último filme, chamado exatamente Copie Conforme (cópia certificada), que discute a importância do olhar e não da autenticidade de determinada obra de arte. Um amigo fala em seu nome, porque ele está atrasado. Uma mulher (Juliette Binoche) chega atrasada ao evento. Pouco depois, James chega ao antiquário da mulher, e ela o convida a dar uma volta. Saem de carro pelas estradinhas até um outro vilarejo. São tomados por um casal pela dona de um café. A mulher resolve seguir com o jogo, reclamar do marido há 15 anos, que nunca está em casa, que não fala a sua língua nem o italiano do país onde moram há cinco. James fica intrigado. E entra no jogo de representação também.

Kiarostami consegue pegar uma paisagem batida para uma história de amor e transformá-la em algo fresco. Ele brinca com as culturas, as línguas e as vozes dos atores, que falam italiano, inglês e francês. Copie Conforme é diferente das produções que o cinesta rodou em seu Irã natal, mas ao mesmo tempo comunica-se com elas ao discutir realidade e ficção, verdade e representação. Há cenas memoráveis, como o segredo (nunca revelado ao espectador) que a velhinha do café conta à protagonista, por exemplo. O filme surpreende e intriga o tempo inteiro, deixando espaço para a emoção. Cada plano e cada diálogo têm significados – e é aí que se vê a diferença entre um bom diretor e um grande diretor. Kiarostami está entre os grandes – ainda que alguns jornalistas, que puxaram algumas vaias, não entendam dessa forma.

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