"Hearat Shulayim" não tem razão para estar na competição

Filme israelense sobre rivalidade entre pai e filho é difícil de levar a sério

Mariane Morisawa, enviada especial a Cannes |

Divulgação
Cena do filme "Hearat Shulayim"
Festival tem umas coisas inexplicáveis – até Cannes. Por exemplo, o israelense “Hearat Shulayim”, de Joseph Cedar, exibido na noite da sexta-feira (13) para jornalistas no 64o Festival de Cannes, não tem motivo para estar na competição.

O filme trata de uma rivalidade entre pai e filho. Tudo bem, acontece. Mas, aqui, ela se dá porque os dois são professores de estudos talmúdicos da Universidade Hebraica. Pois é, parece que a coisa é séria. Fica difícil saber a exata dimensão, tanto que o material de imprensa gasta três de suas dez páginas para explicar o que são estudos talmúdicos, o departamento da Universidade Hebraica sobre o assunto e o prêmio Israel, em que culmina a disputa dos dois.

Em nenhum momento, no entanto, a briga deixa de parecer boba – bem diferente da difícil relação mostrada entre mãe e filho em “We Need to Talk About Kevin”, de Lynne Ramsay. Não ajuda que o diretor adote um tom farsesco, com gracinhas e música cômica. Fica difícil levar a rivalidade a sério desse jeito.

Muitas vezes, o delegado geral do Festival de Cannes, Thierry Frémaux, acaba escolhendo filmes que tenham proximidade temática na competição. Tirando os nomes óbvios, que estariam de qualquer maneira, com qualquer assunto, como Lars Von Trier, irmãos Dardenne e Pedro Almodóvar, aqui parece ser um desses casos. É bem possível que, nos próximos dias, a competição seja recheada com mais produções sobre rivalidades e relações difíceis entre pais e filhos.

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