Gus Van Sant fala de "Inquietos" em Cannes

"É importante ser calmo no set", diz o diretor, que está na mostra Um Certo Olhar

Mariane Morisawa, enviada especial a Cannes |

Getty Images
Mia Wasikowska, o diretor Gus Van Sant e Henry Hopper na sessão de fotos de "Inquietos"
O diretor Gus Van Sant volta ao universo dos adolescentes com “Inquietos” , filme de abertura da mostra Um Certo Olhar, exibido em sessão oficial na noite da quinta-feira (12), dentro do Festival de Cannes 2011 . Enoch (Henry Hopper, filho de Dennis Hopper) perdeu os pais num acidente, tem um fantasma camarada como amigo (Hiroshi, um kamikaze interpretado por Ryo Kase) e costuma invadir velórios de desconhecidos.

Num deles, conhece Annabel (Mia Wasikowska, de “Alice”), uma garota que diz trabalhar num hospital para crianças com câncer, mas, na verdade, está doente. Enoch, sempre a dançar com a morte, termina por apaixonar-se por ela. Os dois estabelecem uma relação positiva, de viver todos os dias ao máximo, apesar de a morte estar sempre à espreita. O roteiro de Jason Lew e a direção de Gus Van Sant apostam na suavidade com toques de estranheza e muito carinho pelos personagens, que não são adolescentes comuns. O resultado é adorável.

Na coletiva de imprensa, adiada em um dia porque o cineasta não conseguiu chegar a tempo, Gus Van Sant disse que sempre tenta imprimir uma calma no set. “É importante, para que todos relaxem. Mas muitas vezes tenho de atuar, fingir que tudo está calmo.”

Para Henry Hopper, que estreia como ator, foi o ambiente ideal. “Foi muito aconchegante, seguro para eu aprender.” Ele contou que resistiu a seguir a carreira de seu pai. “Resisti, porque sei o quanto pode ser difícil e intenso, mas percebi que é um meio de expressão. Tenho amor pela arte e pelo cinema.”

Van Sant comparou “Inquietos” com seus longas anteriores – “Gerry”, “Elefante”, “Últimos Dias”. “Nos outros filmes, eu tentei não editar e usar os ensinamentos do diretor húngaro Bela Tarr . ‘Inquietos’ tem diálogo, os outros tentavam empurrar os diálogos para fora da tela”, disse. “E tanto ‘Gerry’ quanto ‘Elefante’ e ‘Últimos Dias’ eram inspirados sobre casos reais, muito explorados nos noticiários e ainda inconclusivos. Daí os finais abertos. Desta vez, há morte, perguntas são feitas, mas é diferente.”

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