Filme "Hanezu" provoca imersão na alma japonesa

Naomi Kawase escreveu, dirigiu e filmou longa na competição de Cannes

Mariane Morisawa, enviada especial a Cannes |

Divulgação
"Hanezu", da diretora japonesa Naomi Kawaze
“Hanezu No Tsuki”, de Naomi Kawase, a quarta e última diretora a apresentar seu filme na competição do Festival de Cannes 2011 , na tarde da terça-feira (17), provoca a imersão em aspectos importantes da cultura japonesa, como a relação com a natureza, as lendas que explicam quase tudo, a presença dos espíritos dos antepassados.

Ela baseou-se na lenda de formação da região de Asuka, considerada o berço do Japão e marcada pelas montanhas Unebi, Miminashi e Kagu, usadas como metáforas dos humanos, e na coleção de poemas Manyoshu, um deles sobre uma mulher dividida entre dois homens. No filme, Kayoko (Hako Oshima) fica entre Tetsuya (Tetsuya Akikawa) e Takumi (Tohta Komizu). O romance trágico é contado com economia, sem explosões, como é típico do povo japonês, com belas e esparsas imagens, que, como tem sido comum nos últimos dias, contam histórias sem prender-se a narrativas clássicas, como se fosse mesmo um poema.

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Kawase em Cannes: cinema e natureza
Na coletiva de imprensa no início da tarde da quarta-feira (18), a diretora comentou sua relação com a natureza. “Acho que vivemos num tempo em que os homens pensam que podem controlar tudo, até a natureza. Por exemplo, o tsunami foi pintado como o mal, mas é um representante da natureza. A natureza pode inspirar medo. As pessoas têm de estar em comunhão e comunicação entre si e com a natureza. É porque o homem tenta destruir a natureza que existem fenômenos que não podem ser controlados. Minha avó rezava para o sol. Vou continuar fazendo filmes em que a natureza seja fundamental.”

Ela também falou sobre sua atuação como diretora, diretora de fotografia e roteirista. “Foi um acidente eu fazer tudo. Mas foi benéfico, apesar de tortuoso. A câmera me aproximou dos personagens, dos gestos. Pude seguir os gestos dos personagens. Tive prazer de ter podido ter outra experiência.”

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