Filme "clandestino" de Jafar Panahi será exibido em Cannes

Cineasta iraniano, preso desde o ano passado, narra em documentário a espera pelo tribunal de apelação

iG São Paulo com EFE |

Divulgação
O diretor iraniano Jafar Panahi, que enfrenta prisão domiciliar, no documentário "This Is Not a Film"
O Festival de Cannes 2011 anunciou neste sábado a inclusão na seleção oficial de dois longas-metragens, rodados de forma "clandestina" pelos cineastas iranianos Jafar Panahi e Mahamad Rasoulov. Panahi, atualmente em prisão domiciliar em Teerã, vai competir com um documentários nas sessões especiais e Rasoulov, na mostra "Um Certo Olhar" do evento, que será aberto na próxima quarta-feira (11).

Os filmes foram dirigidos "em condições 'clandestinas' e chegaram ao festival nos últimos dias", como revelaram os organizadores, que completam assim a seleção de filmes que serão exibidos na competição oficial de Cannes.

Panahi, condenado em seu país a seis anos de prisão e a 20 anos sem exercer seu ofício por "propaganga contra o regime", enviou na última quinta-feira uma mensagem ao festival garantindo que "o fato de estar vivo e o sonho de manter intacto o cinema iraniano o encoraja a superar as atuais restrições impostas".

"This Is Not a Film" (este não é um filme), documentário que Panahi dirigiu em conjunto com Mojtaba Mirtahmasb, será apresentado na sessão especial em 20 de maio e conta como, há meses, o cineasta aguarda a sentença do tribunal de apelação. Já o longa de ficção de Rasoulov, chamado "Good Bye", narra a história de um jovem advogado de Teerã que procura um visto para deixar o país teria sido rodado no início do ano. Já

"Por meio da representação de um dia na vida cotidiana, Jafar Panahi e outro cineasta iraniano, Mojtaba Mirtahmasb [antigo assistente de direção de Panahi], propõem uma visão da situação atual do cinema iraniano", detalham os organizadores de Cannes.

Em declaração conjunta, o diretor-geral do festival, Thierry Frémaux, e o presidente do evento, Gilles Jacob, garantiram que "o filme de Mohammad Rasoulov e as condições nas quais foi feito, e o diário de Jafar Panahi sobre como é a vida de um artista privado de trabalhar são, por sua própria existência, uma resistência à condenação que os afeta".

Jafar Panahi também será homenageado com um prêmio especial da Quinzena dos Realizadores do festival. O diretor de 51 anos já venceu a Camera d'Or em 1995 em Cannes por "O Balão Branco", o Urso de Prata em Berlim em 2006 por "Fora do Jogo" e o Leão de Ouro em Veneza em 2000 por "O Círculo". Em edições anteriores, a Quinzena – uma das mostras paralelas do festival – já rendeu tributos a cineastas como Clint Eastwood (2003), Nanni Moretti (2004), David Cronenberg (2006), Jim Jarmusch (2008) e Agnes Varda (2010), entre outros.

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG