Fair Game é pouco mais que bom entretenimento

Doug Liman perde a chance de fazer um filme de implicações políticas mais fortes ao falar do caso Plame-Wilson

Mariane Morisawa, enviada especial a Cannes |

Divulgação
Sean Penn e Naomi Watts: a serviço do governo norte-americano em Fair Game
Representante único dos Estados Unidos na competição do 63º Festival de Cannes, Fair Game foi exibido na manhã desta quinta-feira (20) para jornalistas. O diretor Doug Liman ( Vamos Nessa , A Identidade Bourne ) inspirou-se no caso verídico da agente da CIA Valerie Plame, que trabalhava sob disfarce para a divisão de não-proliferação de armas. Na busca pelas armas de destruição em massa no Iraque, seu marido, o diplomata Joe Wilson, é levado a investigar a suposta venda de urânio enriquecido de Níger para o Iraque.

Os dados que ele encontra são ignorados pelo governo George W. Bush porque não interessam para justificar a guerra. Wilson escreve então um editorial para o jornal The New York Times falando sobre suas conclusões de que tal fornecimento jamais existiu. Pouco depois, o nome de Valerie é vazado propositalmente para um jornalista de Washington, inviabilizando a continuação de seu trabalho secreto. Seus contatos no exterior entram em perigo, assim como ela própria e a família – no filme, o casal é interpretado pelos competentes Sean Penn e Naomi Watts.

© AP
Naomi Watts na sessão de gala em Cannes
Na coletiva de imprensa, o diretor tentou minimizar a questão política. “Não sei se minhas visões políticas são muito fortes a respeito do tema de que falamos aqui”, disse. “Eu quis sobretudo retratar a atmosfera dos Estados Unidos na época do caso Plame-Wilson. O filme não toma partido, mas simplesmente tenta contar a história como ela aconteceu, sem jamais ter a intenção de levar o público nesta ou naquela direção.”

De fato, Doug Liman filma tudo como um thriller à la Identidade Bourne , com uma câmera na mão que sacode o tempo todo. A produção, muito fácil de assistir, fica parecida com tantas outras sobre agentes secretos – só que a história é real. A prova é a própria Valerie Plume, que posou ao lado de Naomi Watts na “montée de marches” (a subida da escadaria do Grande Théâtre Lumière), no início da noite desta quinta-feira. Liman perdeu a oportunidade de dirigir um grande filme para fazer apenas um entretenimento com certo estofo.

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