Estreante austríaco apresenta o melhor filme da competição

"Michael" mostra a vida de um pedófilo que mantém garoto preso no cofre de um porão

Mariane Morisawa, enviada especial a Cannes |

Foi com um misto de aplausos tímidos e vaias que o público recebeu “Michael”, de Markus Schleinzer, na tarde deste sábado (14 de maio), no Grand Thêatre Lumière. Diferentemente da maioria dos outros participantes da competição do Festival de Cannes 2011 , o filme do estreante austríaco não teve sessão para a imprensa, apenas uma exibição oficial. Provavelmente, por conta do tema polêmico, já que mostra a vida de um pedófilo.

É isso, também, que explica a reação de parte da plateia ao final. Porque “Michael” é o filme mais poderoso apresentado até aqui. Schleinzer, que foi diretor de casting de vários filmes de Michael Haneke, vencedor da Palma de Ouro há dois anos com “A Fita Branca”, guarda algum parentesco com este cineasta, a começar por exibir uma história de exploração, no caso, da perversão de um adulto (interpretado por Michael Fuith) em relação a uma criança (David Rauchenberger).

O diretor evita, no entanto, qualquer exibição de cenas mais fortes ou violentas. Elas ficam escondidas atrás da porta do cofre no porão que aprisiona o menino Wolfgang – o caso lembra o de Josef Fritzl, que manteve a filha refém por 24 anos – e dos cortes secos que interrompem a ação no momento crucial.

Schleinzer talvez exagere um pouco ao tirar quase todos os traços do perfil psicológico dos abusadores de menores desse tipo ao construir seu personagem, um funcionário de uma companhia de seguros praticamente invisível. Mas é uma pequena questão no melhor filme desta seleção que, até agora, tem girado em torno de assuntos como perversões sexuais, filhos criminosos e relações complicadas entre pais e filhos.

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