Em Cannes, a volta de Bertolucci e Belmondo

Aos 71 anos, cineasta receberá a Palma Honorária; ator retorna ao festival após 37 anos de ausência

Mariane Morisawa, enviada especial a Cannes |

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Michael Pitt em "Os Sonhadores", de Bernardo Bertolucci
Em sua 64ª edição, o Festival de Cannes vem cheio de novidades. A principal é a criação da Palma Honorária anual, que será entregue todos os anos na cerimônia de abertura a cineastas de obra excepcional, mas que nunca receberam a Palma de Ouro – em outras ocasiões, ela foi concedida de maneira especial pelo presidente Gilles Jacob a Woody Allen, em 2002 e a Clint Eastwood, em 2009, por exemplo.

Agora o prêmio passa a fazer parte do calendário, e o primeiro a receber a honraria, na quarta-feira (11), é o cineasta italiano Bernardo Bertolucci, que competiu duas vezes em Cannes, por “A Tragédia de um Homem Ridículo” (1981) e “Beleza Roubada” (1996).

Autor de clássicos como “A Estratégia da Aranha” (1970), “Último Tango em Paris” (1972) e “O Último Imperador” (1987), o diretor de 71 anos andava meio sumido desde “Os Sonhadores”, de 2003, devido a problemas na coluna e cirurgias malsucedidas que o deixaram numa cadeira de rodas.

Bertolucci, que também é tema de retrospectiva no British Film Institute e em seguida no Museu de Arte Moderna de Nova York, recebe a Palma de Ouro especial das mãos do presidente do júri, Robert De Niro, protagonista de seu filme “1900”, lançado em 1976. Além disso, tem uma cópia nova de “O Conformista”, de 1970, exibido na seção Cannes Classics.

Em entrevista publicada em 14 de abril pelo jornal inglês "The Telegraph", o diretor disse que as homenagens são agradáveis de uma certa maneira. “Mas há algo sobre elas... Você tenta olhar para a frente, mas essas ocasiões o forçam a olhar para trás. Eu não me importaria em ganhar um prêmio por meu trabalho futuro!”, afirmou.

Com as dores na coluna mais amenas, ele espera começar a filmar “Me and You”, baseado num romance de Niccolo Ammaniti, em setembro, em Roma. Novamente, ele fala sobre juventude ao contar a história de um adolescente que mente sobre uma viagem. Bertolucci quer filmar em 3D. “Gostaria de fazer os espectadores sentirem que estão no meio do set e não observando tudo da frente”, disse na mesma entrevista. É um retorno mais do que esperado.

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Jean Paul Belmondo e Jean Seberg em cena de "Acossado"

Outra volta celebrada por Cannes é a de Jean-Paul Belmondo, que se tornou uma das caras da nouvelle vague com filmes como “Acossado” (1960) e “O Demônio das Onze Horas” (1965), ambos de Jean-Luc Godard, e também um dos astros mais populares da França. Ele será comemorado com a exibição do documentário “Belmondo, The Career”, de Vincent Perrot e Jeff Domenech, e aceitou retornar à Croisette depois de muitos anos de ausência – desde que “Stavisky”, de Alain Resnais, foi recebido com hostilidade, em 1974.

“Todos os anos o chamamos, e ele sempre disse não”, contou o delegado-geral do festival, Thierry Frémaux, ao jornal inglês "The Independent". Sofrendo com problemas de saúde desde um acidente vascular-cerebral em 2001 e metido num imbróglio com a atual mulher, a modelo Barbara Gandolfi, acusada de se aproveitar do ator, ele tem se mantido longe dos holofotes como pode. Mas agora vai participar de uma noite de celebração ao lado de amigos e admiradores.

Uma outra novidade desta 64ª edição é a instituição de um país convidado. O primeiro será o Egito, palco de uma revolta popular que acabou derrubando o presidente Hosni Mubarak. No dia 18, “18 Jours”, uma coleção de curtas-metragens feitos por dez cineastas baseados na revolução de 25 de janeiro, será exibido, seguido de jantar-tributo ao país.

Na seção Cannes Classics, haverá a apresentação de uma nova cópia de “Facteur” (1968), de Hussein Kamal, enquanto no Cinéma de la Plage (a tela montada na praia), o público poderá ver “Le Cri d’une Fourmi”, produção de 2011 de Sameh Abdel Aziz.

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