Edição de 2011 teve competição boa e variada

Festival termina com saldo positivo e poucos filmes considerados indignos

Mariane Morisawa, enviada especial a Cannes |

Divulgação
Brad Pitt em "A Árvore da Vida", de Terrence Malick: um dos favoritos ao grande prêmio em Cannes
Pesos-pesados, filmes de gênero, quatro diretoras, dois estreantes: o 64o Festival de Cannes teve de tudo um pouco na competição. O melhor é que pouca coisa pode ser considerada indigna de um evento desse porte – “L’Apollonide – Souvenirs de la Maison Close” , de Bertrand Bonello, “Hearat Shulayim” , de Joseph Cedar, e “Polisse” , de Maïwenn, poderiam ser citados. É uma média bem melhor do que a edição de 2010, por exemplo.

Como sempre, o delegado-geral Thierry Frémaux selecionou longas-metragens que conversam entre si. “A Árvore da Vida” e “Melancolia” são bem diferentes, tratam de temas diversos, mas, de alguma forma, ao elevar o pensamento para o cosmos, o superior, são parecidos. A infância ameaçada apareceu em “Le Gamin au Vélo” , dos irmãos Dardenne, “Le Havre” , de Aki Kaurismäki, “Michael” , de Markus Schleinzer, e "Polisse", de Maïwenn. As questões de maternidade e paternidade, ou de criador e criatura mesmo, estiveram presentes em “We Need to Talk About Kevin” , de Lynne Ramsay, “This Must be the Place” , de Paolo Sorrentino, “A Árvore da Vida”, de Terrence Malick, “La Piel que Habito” , de Pedro Almodóvar, “Ichimei” , de Takashi Miike, “Hanezu no Tsuki” , de Naomi Kawase, e os já citados “Le Gamin au Vélo” e “Michael”.

Também os gêneros, que normalmente ficam de fora de uma disputa pela Palma de Ouro, surgiram com força na competição deste ano. O thriller “Drive” , de Nicolas Winding Refn, veio ao lado do filme de samurai “Ichimei”, do terror “La Piel que Habito”, do policial “Polisse”, da comédia “Habemus Papam” , de Nanni Moretti.

Foi também um festival em que a historinha com começo, meio e fim perdeu o lugar para estruturas mais ousadas, principalmente o jorro de memórias de “A Árvore da Vida”, a divisão em dois capítulos bem separados das histórias de Justine e Claire em “Melancolia”, a mistura de realidade e lendas de “Bir Zamanlar Anadolu’da” , de Nuri Bilge Ceylan, o jogo de passado e presente compartilhando o mesmo espaço em “Hanezu No Tsuki”, de Naomi Kawase.

As quatro mulheres com filmes na competição, um número recorde, saíram com o jogo empatado: Kawase e Ramsay mostraram trabalhos fortes, Maïwenn e Julia Leigh (do bonito mas sem vida “Sleeping Beauty” ) não fazem muito pela causa feminina. A situação dos filmes franceses, sempre a maioria na seleção, não foi muito melhor. Apenas “The Artist” , de Michel Hazanavicius, pode ser considerado digno e surpreendentemente tem uma pegada mais comercial. No geral, pode-se dizer com segurança que uma boa parte dos melhores filmes do ano deve ter sido vista em primeira mão entre 11 e 22 de maio, na Riviera Francesa.

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