Dois estreantes e Karim Aïnouz representam o Brasil em Cannes

"Trabalhar Cansa" e "O Abismo Prateado" participam de seções paralelas; leia entrevista com os diretores

Mariane Morisawa, enviada especial a Cannes |

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Helena Albergaria em "Trabalhar Cansa", de Marco Dutra e Juliana Rojas
Os brasileiros estão mais uma vez ausentes da competição principal do Festival de Cannes – a última participação foi com “Linha de Passe”, de Walter Salles, e “Ensaio sobre a Cegueira”, coprodução internacional de Fernando Meirelles, em 2008. Mas isso não significa que o país não tenha sua bandeira fincada na Croisette.

“Trabalhar Cansa” , dos estreantes em longa Marco Dutra e Juliana Rojas, passa na mostra Um Certo Olhar, a segunda seção da seleção oficial de Cannes, dedicada a filmes mais experimentais e, paradoxalmente, mais comerciais (mas de tamanho menor). A exibição oficial será no dia da abertura da mostra, depois da inauguração com “Restless” , de Gus Van Sant.

“Adoramos a Um Certo Olhar e temos a impressão de que é o melhor lugar possível para o nosso filme. Esperamos ter uma boa projeção lá, porque a sala Debussy é maravilhosa, e que o público goste”, disse Marco Dutra ao iG . “Como o filme nunca foi exibido, ainda é um enigma para nós o que as pessoas vão pensar dele.”

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Os diretores Marco Dutra e Juliana Rojas
Os diretores esperam também apresentar no mercado o argumento de seu próximo filme, "As Boas Maneiras". “E ver muitos filmes, o máximo que conseguirmos”, acrescenta. As últimas semanas foram de muito trabalho, apesar de o longa-metragem estar pronto desde fevereiro. Legendas, cópias, fotos, material para imprensa, cartazes, retratos, trailers, tudo foi preparado nos últimos 15 dias. “Junto com os preparativos da viagem em si, acabaram sendo duas semanas de trabalho intenso para fazermos fazer a melhor estreia possível”, conta o diretor, que, junto com Juliana, já esteve em Cannes com os curtas “O Lençol Branco” e “Um Ramo”.

“Dá para fazer milhões de coisas profissionalmente importantes em Cannes. Mas nada bate ver os filmes em primeira mão, muitas vezes na presença da equipe. Há algo de mágico na primeira sessão de um filme, no momento em que o filme nasce para o mundo, com os realizadores presentes. É muito legal poder estar lá e ver isso acontecer. E as projeções são, em geral, maravilhosas”, disse Dutra. A delegação é grande: além dos dois cineastas, estarão na Riviera Francesa as produtoras Sara Silveira e Maria Ionescu, os atores Helena Albergaria, Marat Descartes, Gilda Nomacce, Clarissa Kiste e Ana Petta, o montador Caetano Gotardo, o fotógrafo Matheus Rocha, Gabriela Cunha, que cuidou do som, e Carol Ghidetti, que fez a continuidade.

Mauro Pinheiro Jr. / Divulgação
Alessandra Negrini em "O Abismo Prateado"
Música inspira filme

Já a seção paralela Quinzena dos Realizadores conta com a presença de “O Abismo Prateado” , de Karim Aïnouz, o mesmo diretor de “Madame Satã” e “O Céu de Suely”. O projeto nasceu como convite do produtor Rodrigo Teixeira, que propôs a criação de um filme inspirado numa canção de Chico Buarque. O diretor pensou logo em “Olhos nos Olhos”. “Acabou sendo uma desculpa para fazer um filme de amor, e ele foi virando meu”, disse o cineasta ao iG , quando ainda corria para finalizar a produção. “A música foi a fonte inspiradora para a narrativa, como pode ser um livro.”

O compositor é esperado em Cannes, assim como a atriz Alessandra Negrini, o produtor Rodrigo Teixeira, a roteirista Bia Bracher e o diretor de arte Marcos Pedroso. “Só fui apresentado ao Chico duas semanas atrás”, contou Aïnouz. “Preferi não conhecê-lo antes. Achei que ia voar mais se não nos encontrássemos antes. Queria que fosse mais próximo do perfume da canção do que da história.”

O diretor, que já esteve no festival com “Madame Satã”, acha que é um bom lugar para o nascimento de um filme. “Sabe aquela coisa de gente bem nascida?”, brincou. “Na largada, ele já fica exposto a centenas de pessoas.” Ele também salientou que é um dos poucos momentos glamourosos da profissão. “Todo o mundo acha que cinema é muito glamouroso, mas não tem nada disso no set ou na mixagem. Cannes tem. É uma ilha da fantasia, a Copa do Mundo do cinema!”, disse.

Na outra paralela, a Semana da Crítica, Ricardo Alves Júnior apresenta seu curta-metragem “Permanências”, enquanto Alice Furtado exibe “Duelo Antes da Noite” dentro da seleção oficial, na mostra Cinéfondation, dedicada aos curtas de escolas de cinema – a diretora é da Universidade Federal Fluminense.

Latino-americanos

Como o Brasil, o resto da América Latina não tem representantes na competição deste 64º Festival de Cannes. Na mostra Um Certo Olhar, Cristián Jiménez exibe a coprodução Chile-Argentina-França-Portugal “Bonsai”, enquanto o mexicano Gerardo Naranjo apresenta “Miss Bala”. Na Cinéfondation, passam os argentinos “La Fiesta de Casamento”, de Gastón Margolin e Martín Morgenfeld, e “Salsipuedes”, de Mariano Luque.

A competição de curtas-metragens traz a coprodução Argentina-Colômbia “Soy Tan Feliz”, de Vladimir Durán. Da Argentina também vêm o longa “Las Acacias”, de Pablo Giorgelli, coprodução com a Espanha, e o curta “La Inviolabilidad Del Domicilio se Basa en el Hombre que Aparece Empunando un Hacha en la Puerta de su Casa”, de Alex Piperno, coprodução com o Uruguai, ambos exibidos na Semana da Crítica. A Quinzena dos Realizadores tem “Porfírio”, de Alejandro Lander, produzido pela Colômbia, Espanha, Uruguai, Argentina e França.

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