Coreia do Sul faz sucesso em festivais internacionais

Com filmes e jurados em Cannes, proporcionalmente país asiático tem produção, público e divulgação muito maiores do que o Brasil

Mariane Morisawa, enviada especial a Cannes |

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Ação "The Yellow Sea", dirigido por Na Hong-jin, será exibida na mostra Um Certo Olhar
Lee, Kim, Hong são sobrenomes que se tornaram comuns para quem acompanha os festivais de cinema mais importantes do mundo. Já faz alguns anos que a esquadra sul-coreana aporta com força nos eventos internacionais e sempre é cercada de expectativa.

No Festival de Cannes 2011 , apesar de não contar com nenhum nome na competição (no ano passado, eram dois), o país aparece forte nos júris. Bong Joon Ho , diretor de “Mother - A Busca pela Verdade”, é o presidente da Caméra D’Or, que elege o melhor estreante entre todas as mostras oficiais e paralelas do evento – os brasileiros Marco Dutra e Juliana Rojas concorrem por “Trabalhar Cansa” . E Lee Chang-dong, de “Poesia”, será o presidente do júri da Semana da Crítica .

Hong Sangsoo, que ganhou o prêmio da mostra Um Certo Olhar no ano passado com “Ha ha ha” , volta à mesma seção com “The Day He Arrives”. Kim Ki-Duk, conhecido por filmes como “Casa Vazia” e “Primavera, Verão, Outono, Inverno... E Primavera”, exibe “Arirang”, em que fez tudo: direção, fotografia, roteiro, montagem, som e atuação. E Na Hong-jin, de “O Caçador”, exibe “The Yellow Sea”, sobre um motorista de táxi convidado para uma ação criminosa. Há ainda uma produção na Cinéfondation (“Ya-Gan-Bi-Hang”, de Son Tae-gyum) e dois curtas na Semana da Crítica (“Finis Operis”, de Moon Byoung-gon, e “In Front of the House”, de Lee Tae-ho).

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Um ano depois de ganhar a mostra Um Certo Olhar, Hong Sangsoo volta com "The Day He Arrives"
O mais impressionante é que toda essa produção vem de um país de 50 milhões de habitantes. No ano passado, foram vendidos mais de 135 milhões de ingressos de cinema. Para se ter numa ideia, no Brasil, com população quase quatro vezes maior, houve a mesma quantidade de venda de ingressos em 2010. Enquanto por aqui, os filmes nacionais representam cerca de 15% a 18% do mercado, na Coreia eles ocupam 50% – mais precisamente, 48,7% em 2010.

Mercado interno, apenas, não explica a presença maciça do cinema sul-coreano nos festivais. A Índia tem um mercado predominantemente nacional e não exporta filmes. Certamente entra na equação a quantidade de produções – foram mais de 130 longas lançados no ano passado. Diferentemente do Brasil, onde cada vez mais há obras produzidas que jamais são lançadas, na Coreia do Sul poucos ficam fora dos cinemas. Em 2008, 108 dos 113 produzidos estrearam nas 2 mil salas do país (o Brasil tem cerca de 500 salas a mais).

Também existe um programa maciço de divulgação dessa produção no exterior, com escritórios abertos nos Estados Unidos e na China e publicação de brochuras, divulgadas nos eventos internacionais. Há programas de financiamento para produções independentes e de arte e diversos fundos privados para filmes de ação e artes marciais. Tudo isso somado a um cinema forte, original e ousado, mesmo quando pop (como “Oldboy”), faz da Coreia do Sul uma estrela nos festivais como Cannes.

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