Coletiva de imprensa morna encerra Cannes 2011

Sem Terrence Malick e Kirsten Dunst, declarações não surpreendem jornalistas

Orlando Margarido, enviado a Cannes |

Uma coletiva de imprensa um tanto esfriada pela ausência do diretor da Palma de Ouro terminou a pouco sem grandes polêmicas. Terrence Malick, o vencedor da mais importante distinção do Festival de Cannes 2011 por "A Árvore da Vida" , foi mais uma vez representado por dois dos produtores da fita, como no palco do Teatro Grand Lumière, onde se deu a premiação.

Dede Gardner, um dos responsáveis pela produção, disse que havia conversado com Malick poucos momentos antes da entrega dos prêmios, mas ainda não sabia sua reação quanto a Palma. “Ninguém esperava e arrisco dizer que muito menos ele; vou sair daqui e ligar para ele”. É uma situação rara no festival. Outra ocasião em que um cineasta vencedor não estava presente ocorreu em 1982, quando o turco Ylmaz Güney não pôde receber a Palma por Yol porque estava preso. Seu assistente, que inclusive concluiu o filme, o representou.

Outra que não compareceu à entrevista, mas estava presente na premiação, foi Kirsten Dunst. Os organizadores não se pronunciaram, mas é possível que a melhor atriz por "Melancolia" não quisesse polemizar mais sobre o caso Lars Von Trier , que fatalmente viria a tona. Assim, as conversas seguiram tranquilas, um pouco menos talvez pela visível contrariedade do turco Nuri Bilge Ceylan, que dividiu o Grand Prix, o grande prêmio do júri, com os irmãos Dardenne, estes por "Le Gamin au Véio" . Ele se esforçou. “Estou contente; dizem que o meu filme ( “Bir Zamanlar Anadolu’da” ) é difícil de entender, mas eu não faço filmes para serem compreendidos neste sentido que atribuem”.

A primeira coletiva, como é tradição, foi a do júri. Robert De Niro, presidente do time, falou até mais do que costuma, monocórdio que é. Disse que assistiu a ótimos filmes, todos merecedores de prêmios, mas que uma decisão se impõe num júri dessa magnitude. “Estavamos todos comprometidos em escolher os melhores, deixamos nosso conhecimento do cinema e emoção falar.” O ator Jude Law chamou atenção para a diversidade apresentada na seleção e que o júri tem de agir com a mesma responsabilidade com que realizadores fazem filmes e críticos os julgam. Sua colega, Uma Thurman, esplendorosa num longo azul, destacou que cada vez mais será necessário levar em conta as novas tecnologias para julgar filmes.

Houve perguntas do tipo "por que alguns títulos foram premiados", caso do israelense  "Hearat Shulayim" pelo roteiro, e outros não, a exemplo de "This Must Be The Place" . Nestes momentos, De Niro foi lacônico, dizendo apenas que o júri achou-o o melhor roteiro, e que todas as produções foram levadas em conta, referindo-se ao filme de Paolo Sorrentino.

O “ex-aequo”, ou seja, a divisão de prêmios no Grand Prix, também foi cobrada e quem elaborou um pouco mais foi o diretor francês Olivier Assayas. “Constatamos que os dois filmes nos impressionaram e queríamos fazer uso dessa unanimidade de alguma forma”. A polêmica sobre Trier, que durante entrevista coletiva de seu filme "Melancolia" disse simpatizar com o nazismo, também entrou na pauta. “Foi uma questão pessoal de cada jurado decidir se isso influenciava ou não alguma decisão a respeito de prêmios”, disse De Niro, que foi elogiado como democrático pela escritora Lynn Ullmann, enquanto o ator fazia uma cara irônica. A romancista ressaltou ainda os temas duros dessa competição, muito ligados a problemas com crianças.

Esse é o tema, por excelência, do filme da francesa Maïwenn, "Polisse" , que ganhou o prêmio do júri. A trama se passa numa instituição policial que se dedica a violência com menores. “Quero muito que esse reconhecimento amplie o trabalho dessas pessoas e que atentem mais a crueldade que atinge as crianças”.

O melhor diretor por “Drive” , o dinamarquês Nicolas Winding Refn, que filma em Los Angeles, veio acompanhado do protagonista Ryan Gosling. “É importante ele estar aqui pois veio dele o roteiro, a ideia da história; foi ele que me procurou”, disse. Gosling correspondeu. “Vi todos os filmes de Nicolas e só ele poderia levar à tela bem essa ideia”. No filme, ele é um motorista que trabalha com bicos, inclusive como dublê e também para marginais, quando se envolve com um quadrilha.

Por fim, o francês Jean Dujardin, melhor ator por "The Artist" , comentou ter ficado contente com a cumplicidade da plateia de Cannes com o formato excepcional do filme, mudo e em preto-e-branco. Foi resposta semelhante de Jean-Pierre e Luc Dardenne. “Tivemos boa receptividade do público, da crítica e agora do júri; que mais nos falta?”

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