Carlos poderia estar na competição de Cannes

É forte o filme feito por Olivier Assayas para a televisão sobre a vida do terrorista Carlos, o Chacal

Mariane Morisawa, enviada especial a Cannes |

Divulgação
O ator venezuelano Edgar Ramirez caracterizado para o papel-título de Carlos
Exibido fora de competição na tarde desta quarta-feira (19) no 63º Festival de Cannes, Carlos foi feito para a televisão, mas nem parece. A duração total chega a cinco horas e meia – o programa será exibido em três partes –, mas, de novo, nem parece. A série dirigida por Olivier Assayas ( Horas de Verão ), baseada na vida do polêmico Ilich Rámirez Sánchez, também conhecido como Carlos, o Chacal, um dos homens que mais cometeu atentados nas décadas de 70 e 80 e sentenciado a prisão perpétua na França, provocou um esquema de segurança reforçado na tarde de hoje no Palais des Festivals.

O filme passa voando ao expor as ações espetaculares do venezuelano, como a invasão de uma reunião da Opep. É inacreditável a ousadia do terrorista, considerado por muitos um mero mercenário, e que chegou a ser procurado por diversos países diferentes. Assayas não glorifica, porém, seu protagonista (interpretado pelo venezuelano Edgar Ramirez), mas também evita a demonização. Embala tudo numa linguagem pop sem se perder na firula excessiva e dá conta de todas as implicações políticas – Carlos envolve-se com a Stasi, com os governos comunistas da Hungria, da Romênia, com o Iraque, com a Síria, com a Líbia. A produção bem poderia estar na competição (há boatos de que houve pressões para que não estivesse, dada a polêmica em torno do personagem), tamanha sua força.

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