Biutiful já é o primeiro candidato à Palma

Filme do mexicano Alejandro González Iñárritu traz Javier Bardem como um homem à beira da morte

Mariane Morisawa, enviada especial a Cannes |

Divulgação
O diretor Iñarritu e o ator Bardem: sinais de esperança em Biutiful
Alejandro González Iñárritu conseguiu na manhã desta segunda-feira (16) dar um passo à frente na disputa pela Palma de Ouro com Biutiful , estrelado por Javier Bardem – que é forte candidato ao prêmio de melhor ator, caso o filme não leve troféu superior (pelas regras do Festival de Cannes, uma produção não pode levar a Palma ou o Grande Prêmio do Júri e outros troféus).

Javier Bardem interpreta Uxbal, que cuida sozinho dos dois filhos, Ana e Mateo, num pequeno apartamento em Barcelona. Ele vive de pequenos esquemas: é o intermediário entre o fabricante chinês de bolsas piratas e os africanos que as vendem nas ruas da cidade. Sensitivo, consegue conversar com os mortos. Mas o protagonista está morrendo de um câncer que demorou demais para diagnosticar e precisa acertar as coisas antes de partir.

Biutiful é muito melhor do que Babel (2006) e 21 Gramas (2003), os últimos trabalhos do cineasta mexicano, que estourou com Amores Brutos (2000). O novo filme abandona o artificialismo dos roteiros de Guillermo Arriaga, em que peças eram encaixadas como num quebra-cabeça. Iñárritu continua achando que o mundo inteiro está conectado, mas agora não obriga seus personagens a ligarem-se uns aos outros. Com sensibilidade e intensidade, o diretor de 46 anos, que concorreu à Palma de Ouro com Babel , tem mais chances agora de realmente levar o prêmio.

"Meu filme é humano"

Na coletiva de imprensa que se seguiu à exibição para jornalistas, Iñárritu afirmou que estava cansado de correr o mundo para filmar, como em Babel . “Prometi a mim mesmo que ia fazer um filme simples, nada de japonês ou inglês. Achei que tinha explorado demais as histórias múltiplas, os exercícios de narrativa. Queria contar uma história simples tentando capturar uma vida muito complicada”, disse. “Mas foi tão difícil quanto qualquer outro dos meus filmes. Foi um belo desafio.”

O cineasta mexicano definiu seu filme como esperançoso, apesar da situação de seu personagem. “O cara é cheio de luz. Ele se doa, tenta acertar tudo, mesmo tendo essa espada da morte sobre sua cabeça. Tudo o que ele inspira é amor e perdão. A doença que existe no mundo é o ódio. Acho que este é o mais esperançoso dos meus filmes.”

Bardem afirmou que não tem preferência por personagens depressivos. “Gosto de filmes com significado. E a vida é depressiva, mas ela é o que temos e temos de tentar torná-la melhor. Biutiful é intenso, mas há esperança em cada um dos gestos do personagem.”

Em seguida, Iñárritu voltou ao tema da esperança. “Acho que meu filme é humano. Hoje só há filmes com explosões, mortes, cinismo. Isso é esperançoso? Acontece que Biutiful é uma experiência íntima. E as pessoas não estão mais acostumadas com isso. A intimidade é o novo punk, é provocativo. É esperançoso porque é sobre nós”, disse, sendo aplaudido. O diretor se disse pela primeira vez totalmente satisfeito com um de seus trabalhos.

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